Petróleo segue perdas com ações e fecha em queda

Os contratos futuros de petróleo negociados em Nova York fecharam em queda nesta quinta-feira, 15, pela primeira vez em quatro sessões, após terem encerrado na máxima em mais de três semanas ontem, pressionados pelo pessimismo dos investidores com as perdas nos mercados de ações nos Estados Unidos. Também contribuiu para a desvalorização da commodity o fato de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter elevado apenas marginalmente a sua previsão para a demanda global este ano.

LETICIA PAKULSKI, Agencia Estado

15 de maio de 2014 | 17h18

"Os mercados de energia (estão) definitivamente seguindo os mercados de ações com uma atitude de mais aversão ao risco", afirmou Tariq Zahir, executivo da Tyche Capital Advisors.

Os dados divulgados hoje nos Estados Unidos vieram em sua maioria positivos, mas não foram suficientes para impulsionar o petróleo, apesar da percepção de que números mostrando recuperação sinalizam demanda maior por energia. Os pedidos de auxílio-desemprego caíram ao menor nível desde maio de 2007. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA teve o maior avanço mensal desde junho do ano passado. Por outro lado, a produção industrial caiu 0,6% em abril ante maio, mais do que o previsto por analistas.

Nesta quinta-feira, a AIE elevou a estimativa de demanda por petróleo da Opep em 140 mil barris por dia, para 30,7 milhões de barris por dia, durante o segundo semestre deste ano. O aumento foi avaliado por investidores como marginal, apesar de a agência ter salientado que a Opep pode encontrar dificuldades para recuperar o atraso em relação ao aumento da procura.

"Embora a Opep tenha capacidade mais que suficiente, é preciso ver se a organização vai conseguir superar os obstáculos observados acima do solo que têm atormentado alguns de seus países-membros recentemente", salientou a AIE, no relatório. Interrupções em países como a Líbia e a Nigéria e sanções contra Irã mantiveram a produção da Opep abaixo de sua meta de 30 milhões de barris por dia nos últimos meses.

Segundo a JBC Energy, o retorno parcial da oferta de petróleo da Líbia ao mercado pode contribuir para novas desvalorizações, mas tem efeito limitado por ora. "Embora o campo Elephant tenha retomado a produção, a produção global dele ainda está 30 mil barris/dia abaixo da sua capacidade", assinalou a empresa de pesquisa.

O petróleo para junho negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em queda de US$ 0,87 (0,85%), a US$ 101,50 por barril. Ontem, o mesmo contrato havia encerrado a US$ 102,37 por barril, maior patamar desde 21 de abril.

Acompanhando a tendência dos EUA, o Brent para julho, que passa a ser o contrato mais negociado a partir de hoje, fechou em queda de US$ 0,22 (0,20%), a US$ 109,09 por barril na IntercontinentalExchange (ICE), em Londres. Por sua vez, o contrato do Brent para junho teve alta de US$ 0,25 (0,22%), fechando a US$ 110,44 por barril na ICE. O contrato para junho expirou no fim da sessão e vencimentos costumam acrescentar volatilidade ao mercado. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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