Petróleo sobe a US$ 86,15; vazamento da BP preocupa

É o preço mais alto das últimas três semanas, impulsionado pelo retorno da confiança na recuperação global e a potencial interrupção das importações pelo Golfo do México 

Regina Cardeal, da Agência Estado, Agencia Estado

30 de abril de 2010 | 17h39

O contrato futuro do petróleo fechou no preço mais elevado das últimas três semanas, impulsionado pelo retorno da confiança na recuperação econômica global e a potencial interrupção das importações pelo Golfo do México por causa do vazamento de petróleo na região. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato com vencimento em junho subiu US$ 0,98, ou 1,2%, para US$ 86,15 o barril, pouco abaixo da máxima em fechamento em 2010 de US$ 86,84 o barril, registrada em 6 de abril. O petróleo tipo Brent fechou em alta de US$ 0,54, ou 0,6%, em US$ 87,44 no mercado eletrônico ICE.

Os preços do petróleo subiram pela terceira sessão seguida, enquanto o dólar continua recuando da máxima em um ano em relação ao euro, atingida na quarta-feira, refletindo a crescente confiança de que as dívidas da Grécia não vão causar um pânico financeiro mais amplo na Europa. O euro se recuperou depois que a Grécia aceitou novas medidas de austeridade nesta sexta-feira como condição para receber ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O euro estava há pouco em US$ 1,3314, da mínima em um ano a US$ 1,3114 na quarta-feira, quando os temores sobre as finanças de vários países europeus levou o petróleo a cair a US$ 81,29 o barril.

Os investidores também se animaram com a divulgação de que a economia dos EUA cresceu 3,2% no primeiro trimestre. Embora levemente abaixo da previsão de consenso, o aumento foi alimentado pelo crescimento nos gastos do consumidor, um indicador positivo de expansão futura.

Os estoques de petróleo elevados, sobretudo no centro-oeste dos EUA onde são entregues os barris que lastreiam os contratos da Nymex, são o principal empecilho à alta dos preços. Com a oferta devendo continuar farta nos próximos dois meses, os operadores têm um incentivo muito maior para comprar os contratos para entrega no fim de 2010, quando a oferta pode diminuir. Os contratos para junho terminaram hoje com desconto de US$ 2,20 sobre o contrato de julho.

Os estoques podem cair muito antes se o vazamento de petróleo no Golfo do México ameaçar as operações no Porto de Petróleo Offshore de Louisiana (Loop), o maior dos EUA para importação de petróleo. Uma porta-voz disse que o porto está operando normalmente e não se espera que seja afetado pela mancha de óleo "em breve". Mas o poço da BP, que estava sendo trabalhado por uma plataforma que pegou fogo e afundou na semana passada, pode levar semanas para ter seu vazamento contido e o petróleo já atingiu a costa da Louisiana.

Loop é o único porto que pode trabalhar com os maiores petroleiros, que descarregam mais de 1 milhão de barris por dia ali. Este petróleo é usado pelas refinarias na costa do Golfo e centro-oeste e a mera ameaça de que o porto seja temporariamente fechado "já está tendo impacto nos preços do petróleo", disseram em relatório analistas do Goldman Sachs Inc. As informações são da Dow Jones.

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