Petróleo sobe a US$ 89,34 em reação à tensão no Egito

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta forte, em reação aos confrontos entre tropas do governo e manifestantes no Egito. Cresce o temor de que a turbulência política se alastre pelo Oriente Médio, inclusive para os países produtores de petróleo.

RENATO MARTINS, Agencia Estado

28 de janeiro de 2011 | 18h53

No quinto dia consecutivo de protestos no Egito, o governo do general Hosni Mubarak, no poder há 30 anos, colocou o Exército nas ruas nas principais cidades do país e decretou toque de recolher. Nos EUA, a Casa Branca, que na quinta-feira havia manifestado apoio a seu aliado Mubarak, mudou de tom hoje, falando em "preocupação profunda" e pedindo que o governo egípcio restaure os serviços de internet e telefonia celular no país.

Segundo a Joint Oil Initiative, o Egito é apenas o 21º maior produtor de petróleo do mundo, com 673 mil barris por dia. Mas o país controla duas rotas essenciais para o abastecimento global de petróleo, o Canal de Suez, por onde passam os navios que transportam o petróleo produzido no Golfo Pérsico para o Ocidente, e o oleoduto Sumed, de 350 km, que serve como rota alternativa; segundo dados do Departamento de Energia dos EUA, cada uma dessas rotas transportava 1 milhão de barris por dia em 2009.

"Poderemos chegar na segunda-feira com uma nova liderança no Egito. E não sabemos se isso vai parar de se alastrar", disse o estrategista Bill O''Grady, da Confluence Investment Management. "Se essa coisa se espalhar pelo Norte da África e chegar à Líbia e à Argélia, haverá problemas", afirmou Stephen Schork, editor da publicação especializada em energia Schork Report.

Operadores disseram que o mercado também reagiu aos dados preliminares do PIB dos EUA no quarto trimestre de 2010; o crescimento de 3,2% ficou abaixo das previsões dos economistas, mas superou os 2,6% do terceiro trimestre, alimentando as expectativas de maior demanda por petróleo. Com isso, os contratos de petróleo bruto negociados na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) subiram mais do que os do Brent, negociado na Intercontinental Exchange (ICE); o diferencial de preço entre os dois contratos, que havia chegado a quase US$ 12 por barril nesta quinta-feira, reduziu-se a US$ 10.

Na Nymex, os contratos de petróleo bruto para março fecharam a US$ 89,34 por barril, em alta de US$ 3,70 (4,32%). Na ICE, os contratos do petróleo Brent para março fecharam a US$ 99,42 por barril, em alta de US$ 2,03 (2,08%). As informações são da Dow Jones.

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