Marwan Naamani|AFP
Marwan Naamani|AFP

Petróleo volta a valer mais de US$ 40

Alta, motivada por revisão de estoques nos EUA e pela perspectiva de cortes nos países produtores, influenciou os papéis da Petrobrás

Antonio Pita, Gabriela Mello, Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2016 | 21h40

RIO e SÃO PAULO - A cotação do petróleo no mercado internacional subiu ao maior patamar registrado neste ano, com o barril do tipo Brent negociado acima de US$ 40. A alta foi puxada por uma revisão no volume de estoques dos Estados Unidos e pela expectativa de cortes de fornecimento dos grandes países produtores. O resultado contribuiu com a melhora no valor de mercado da Petrobrás, que desde a última semana registrou uma valorização de US$ 11 bilhões, influenciada também pela turbulência política vivida no País.

As cotações internacionais levam em consideração o tipo de óleo negociado e suas qualidades técnicas. O Brent, de melhor qualidade, é negociado na bolsa de Londres e fechou em alta de 5,47%, a US$ 40,84 o barril. Já o petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, subiu 5,51%, para US$ 37,90.

As cotações têm registrado seguidas altas desde a segunda quinzena de fevereiro, quando as principais potências produtoras de petróleo iniciaram negociações para congelar a produção. Nesta segunda-feira, 7, o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al-Mazrouei, sinalizou apoio ao congelamento da produção e pediu “paciência” aos empresários do setor.

Nos EUA, o Departamento de Energia anunciou uma queda na produção de óleo de xisto, ao mesmo tempo que consultorias registraram uma redução no número de plataformas em operação, reforçando o ajuste nos volumes produzidos no País.

A variação das cotações se reflete rapidamente nas ações da Petrobrás, que subiram ao longo de todo o dia. No fechamento, entretanto, as ações ordinárias foram negociadas com queda de 0,7%, a R$ 9,91. Já os papéis preferenciais registraram alta de 2,08%, cotadas a R$ 7,37. Também nesta segunda-feira, a empresa anunciou que apresentará os resultados de 2015 no próximo dia 21.

Somente na última semana, as ações da estatal subiram 55,4%, segundo levantamento da consultoria Economática. O desempenho elevou o valor de mercado da companhia de US$ 19 bilhões para cerca de US$ 30 bilhões – foi a terceira maior valorização entre cerca de 2 mil empresas de capital aberto na América Latina e EUA.

No período pesquisado, entre 26 de fevereiro e 4 de março, houve novos episódios da Operação Lava Jato, como o vazamento da suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e a condução do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) para depoimento pela Polícia Federal. A turbulência reacendeu a expectativa do mercado de uma eventual ruptura no governo da presidente Dilma Rousseff.

Segundo analistas, a alta das cotações decorreu de operações de aluguel das ações – prática na qual o detentor dos papéis, em troca de uma taxa acertada por um período predeterminado, autoriza sua transferência. “Nós já alugamos tudo o que tínhamos”, disse Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management. Ele explica que os investidores não acreditam que o preço das ações vai se sustentar por muito tempo sem que haja indicadores sólidos para a estatal. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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