Petrópolis negocia compra da cervejaria Cintra

Deve esquentar ainda mais a já aguerrida disputa por participação no mercado cervejeiro nacional, estimado em 9 bilhões de litros por ano. Estão avançadas as negociações para a compra da Cervejaria Cintra, do Rio de Janeiro, pela Cervejaria Petrópolis, que produz as marcas Itaipava e Crystal.Com a aquisição, a Petrópolis subirá no ranking e vai encostar na mexicana Femsa Cervejaria do Brasil, dona das marcas Kaiser e Sol. A empresa, com sede no interior de São Paulo, somará aos seus 6,7% de participação de mercado - que detinha em dezembro, segundo dados do instituto A/C Nielsen - os 1,3% de participação da Cintra. A Femsa segue com 8,5% de participação.As duas empresas não confirmam oficialmente a negociação, mas também não desmentem. A Cintra, que pertence a uma família portuguesa de mesmo sobrenome, estava à venda já há algum tempo. Limitações para a sua expansão levaram a direção da empresa a optar por esse caminho.Há cerca de quatro anos, a empresa que chegou ao Brasil em 1997 colocou à venda 20% do seu capital com o objetivo de levantar recursos para sustentar o seu crescimento. A ambição era alcançar 10% de participação no mercado brasileiro até 2008. Ela não foi bem sucedida nos seus planos. Nunca superou um quinto da sua meta.A estimativa dos que acompanham o segmento cervejeiro é de que a Cintra vá custar entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. Caso a venda seja fechada, a Petrópolis levará duas fabricas - uma em Piraí (RJ) e outra em Mogi Mirim (SP) -, além de um portfólio com refrigerantes e chope. A Cintra tem atuação restrita, mais concentrada na Região Sudeste.A Petrópolis é comandada pelo empresário Walter Faria, que já se viu envolvido na chamada Operação Cevada da Polícia Federal por suspeita de participação em esquema de fraude fiscal. Ele chegou a ser detido junto com outros diretores da Cervejaria Schincariol. Faria foi envolvido por ser um dos principais distribuidores da Schincariol no País.A Petrópolis informa que fatura cerca de R$ 800 milhões por ano. Sua participação de mercado vem caindo desde setembro de 2006 - saiu de 7,1% para 6,7%, segundo dados do instituto de pesquisa ACNielsen. No mercado, calcula-se que essa participação corresponda a um faturamento anual de R$ 1,3 bilhão.

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