PIB acima do esperado faz dólar recuar

No mercado à vista, o dólar abriu a R$ 2,3520, com baixa de 1,09% no balcão. Às 9h46, atingiu uma máxima de R$ 2,3550

Silvana Rocha, da Agência Estado,

30 de agosto de 2013 | 10h08

Com a alta de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano, acima do teto das projeções feitas por analistas, o mercado de câmbio abriu com o dólar em queda ante o real. A previsão de três leilões do Banco Central nesta sexta-feira, 30, sendo um de linha de até US$ 1 bilhão para dois vencimentos e um de swap cambial, também favorece o recuo da moeda, segundo um operador de câmbio de um banco.

Na comparação com o segundo trimestre de 2012, o PIB apresentou alta de 3,3% no segundo trimestre deste ano, dentro do intervalo das estimativas do AE Projeções, que variavam de 2,00% a 3,80%, com mediana de 2,50%. Já no primeiro semestre do ano, o PIB subiu 2,6% na comparação com o mesmo semestre do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os números hoje. O PIB do segundo trimestre de 2013 em valores correntes somou R$ 1,201 trilhão.

No mercado à vista, o dólar abriu a R$ 2,3520, com baixa de 1,09% no balcão. Às 9h46, atingiu uma máxima de R$ 2,3550 (-0,97%).

No mercado futuro, às 9h55, o dólar para outubro de 2013 recuava 0,25%, a R$ 2,3710. Este vencimento passa a ter maior liquidez a partir desta sexta-feira, 30. O dólar outubro abriu a R$ 2,3625 (-0,61%) e oscilou entre R$ 2,360 (-0,72%) e R$ 2,3735 (-0,15%). Ja o contrato de dólar para setembro, que será liquidado na segunda-feira, 2 de setembro, caía a R$ 2,3565 (-0,17), após oscilar de R$ 2,3450 (-0,66%) a R$ 2,3580 (-0,11%).

Os três leilõs que o Banco Central realiza hoje visam amortecer eventual pressão sobre a taxa de câmbio, que seria derivada da disputa em torno da definição, nesta sexta-feira, 30, da taxa Ptax de fim de mês.

Com o adiamento para a próxima semana da decisão sobre uma intervenção militar dos EUA na Síria, o dólar norte-americano mostra um desempenho "lateral" no mercado externo de moedas. Por enquanto, dois indicadores divulgados nos Estados Unidos não alteraram significativamente o comportamento da moeda norte-americana ante seus principais pares.

O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) nos EUA subiu 0,1% em julho ante junho, segundo o Departamento do Comércio. O dado ficou abaixo do 0,3% previsto pelos economistas.O núcleo do índice também aumentou 0,1% na comparação mensal, vindo em linha com a projeção de analistas consultados pela Dow Jones. Em relação a julho do ano passado, o índice do PCE subiu 1,4%, mais do que o avanço anual de 1,3% registrado em junho, porém ainda abaixo da meta de inflação anual do Federal Reserve, de 2,0%. O núcleo do índice teve alta de 1,2% em relação a julho de 2012, o mesmo resultado de junho. A alta dos gastos em junho foi revisada para 0,6%, de 0,5% reportada preliminarmente.

Em relação à renda pessoal, os consumidores norte-americanos gastaram com mais cautela à medida que o crescimento da renda perdeu força, sinalizando um risco potencial para a recuperação econômica no segundo semestre deste ano. A renda pessoal aumentou 0,1% em julho, abaixo da alta não revisada de 0,3% em junho e o menor nível desde abril. Os economistas previam avanços de 0,2% da renda pessoal.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, concederá entrevista às 11h30 em São Paulo para comentar o resultado do PIB. Suas declarações tendem a mexer principalmente com os mercados de câmbio e futuro de juros. Durante um evento em São Paulo na quinta-feira, 29, à noite, Mantega afirmou que os mercados passam por nova turbulência, provocada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). "O Fed exagerou na dose de estímulos e está perto de desativá-los", disse o ministro. A exemplo do governo da China no começo da semana, Mantega afirmou que a desativação precisa ser feita com cuidado, para não prejudicar outros países.

No entanto, o ministro disse que o Brasil está preparado para as turbulências e citou as reservas do País. "Temos mercado consumidor e financeiro para atrair investimentos", acrescentou. O ministro, dizendo, ainda, que o Brasil possui um déficit em conta corrente menor do que o verificado em outros países. Mantega afirmou que não há fuga de dólares no Brasil. "De janeiro a julho, US$ 59 bilhões em investimento estrangeiro entraram no País". Ele também citou que, em 2012, o Brasil foi o terceiro maior receptor de investimentos externos, atrás de EUA e China, e que em 2013 a tendência é de que o País mantenha a mesma posição.

Em relação aos leilões de hoje, a oferta de swap cambial tradicional terá início às 10h30. As demais condições desta oferta ainda serão divulgadas. Esta operação não faz parte da programação diária de leilões cambiais anunciada na quinta-feira da semana passada pelo BC.

Em relação à operação de linha com recompra, a oferta é de até US 1 bilhão distribuído em dois vencimentos: 2 janeiro e 2 abril de 2014. As propostas serão recebidas entre às 11h15 e 11h20, para recompra em abril. Já das 11h30 às 11h35, a oferta será para a recompra com vencimento em janeiro. A taxa de câmbio a ser utilizada para a venda de dólares por parte do BC será a Ptax do boletim das 11h de amanhã.

Serão aceitas até três propostas por instituição para cada uma das ofertas. As operações de venda serão liquidadas no dia 3 de setembro de 2013. Esta operação está dentro da programação de intervenções diárias prevista para ocorrer até o final do ano no valor total de cerca de US$ 100 bilhões. Ontem, a autoridade monetária rejeitou as propostas para dois leilões de linha referentes à rolagem de um vencimento de linha no próximo dia 2. Ontem, o BC fez um leilão de rolagem de uma linha de US$ 1 bilhão, mas recusou todas as propostas.

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