PIB da China deve ser de 4% a 6% nos próximos 2 anos

Para estrategista da Pentágono Asset, crescimento menor na China causaria desaceleração no Brasil

Luciana Xavier,

31 de outubro de 2008 | 17h33

É difícil imaginar um final para a crise atual, mas é possível acreditar que ainda há muito para acontecer antes de um desfecho, admite o estrategista da Pentágono Asset management, Marcelo Ribeiro, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. "Há um consenso, por exemplo, de que a China vai crescer 8% ou 9% nos próximos dois anos. Será necessário um ajuste mais realista das projeções. Algo perto de 4% a 6%. O Brasil vai sentir essa desaceleração e creio que um PIB de 2% reflita melhor isso", afirmou.O economista foi dos poucos no Brasil a prever a recessão nos Estados Unidos, ainda em 2006, alguns meses antes do professor Nouriel Roubini chamar atenção do mundo com sua exposição sobre recessão americana na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em setembro daquele ano. No primeiro semestre deste ano, quando a Bovespa atingiu seu melhor momento, ultrapassando os 70 mil pontos, Ribeiro antecipou que a fartura no mercado de ações não duraria muito tempo e que a bolsa paulista irá ficar perto dos 40 mil pontos.Agora o estrategista reconhece que as perspectivas podem ser ainda mais desanimadoras para 2009. As correções para cima como as desta semana devem continuar a ocorrer, mas a trajetória continua sendo de baixa, afirmou. "A bolsa vai continuar em queda junto com as commodities e o petróleo", disse.Segundo ele, o pico da Bovespa este ano coincidiu com o pico do preço do petróleo e agora o movimento de forte baixa se assemelha ao da commodity. "O viés da bolsa é de baixa. Acredito que em 2009 a bolsa ficará bem abaixo do que está hoje. Com petróleo de US$ 40 a US$ 50 o barril em 2009, é de imaginar que a bolsa chegue a 25 mil pontos", disse.RealA pressão por dólar no mundo deve seguir por mais dois ou três anos, avaliou Ribeiro. "O viés do real é de desvalorização",  disse.  Com isso, o Banco Central brasileiro terá de continuar a subir juros para conter a pressão do dólar sobre a inflação. Ribeiro disse que a decisão do Comitê de Política Monetária do banco Central (Copom) de manter a Selic em 13,75% em outubro foi "perfeita" diante do quadro de muita indefinição, mas acredita que deva retomar as altas nas próximas reuniões e que o ciclo de aperto irá se estender ao longo de todo o ano de 2009. Ele avalia que o BC deve continuar a dar prioridade ao cumprimento da meta de inflação, que segundo Ribeiro, deve ficar um pouco acima do centro, de 4,5%. O estrategista elogiou a atuação do  Banco Central com suas medidas para dar liquidez ao mercado, inclusive ao alterar as regras de recolhimento dos compulsórios sobre depósitos a prazo, algo que foi visto pelo mercado como punição. "O BC está atuando na direção certa. Minha dúvida é se será suficiente para forçar os bancos a irrigar o mercado com crédito", disse. Ribeiro avalia que os bancos só voltarão a emprestar normalmente quando se sentirem que o risco está menor. "Não sei se o mercado vai voltar a funcionar. Acho que primeiro o mercado de crédito global tem de voltar a operar. Os bancos estão certos. De certo modo estão construindo um muro de liquidez. É uma postura correta no momento. E cabe ao governo adotar medidas para estimular a volta da liquidez". Nesse contexto de incerteza, Ribeiro disse que os fundos que atuaram de forma mais agressiva sofreram e ainda vão sofrer com esta crise, mas não vê quebradeira no Brasil. "Quem ficou vendido não vai ficar para contar história. Mas o Brasil não tem nem de perto o grau de alavancagem de outros países", disse.  Segundo ele,  algumas assets poderão fechar, algumas fusões estão a caminho e com certeza boa parte terá que mudar o perfil de atuação, com menor alavancagem. O estrategista disse  as bolsas americanas devem ser as mais atrativas ao investidor nos próximos meses. "Os Estados Unidos foram os primeiros a entrar, mas também serão os primeiros a sair da crise. As bolsas americanas serão as melhores opções nos próximos dois anos. O Brasil volta a ficar interessante para o investidor de longo prazo ao final de 2010. A bolsa só estará boa pra quem sabe operar com volatilidade e são poucos". Ribeiro disse que os EUA terão ainda um ano difícil em 2009, em especial nos primeiros dois ou três trimestres,  mas começa a se recuperar na segunda metade do ano. "Os EUA são mais ágeis na hora de fazer o que tem de ser feito. A crise na Europa vai se arrastar por mais tempo".

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