PIB de 2009 deve ficar abaixo de 1,2%, diz Salomon

Economista-chefe do Unibanco diz que a economia brasileira pode já estar em recessão técnica

Luciana Xavier e Patricia Lara, da Agência Estado,

06 de fevereiro de 2009 | 16h02

O Brasil deve crescer menos de 1,2% este ano, na avaliação do economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. "A gente estava pensando em reduzir (a projeção) para 1,2% ou 1,3%, mas acho que vem bem abaixo disso", disse. Salomon acredita que a economia brasileira pode já estar em recessão técnica. Para ele, o último trimestre de 2008 deve ter contração "bastante forte", ao redor de 2,5% de queda, e o 1º trimestre de 2009, segundo ele, não será "tão grave" como no último trimestre de 2008, mas ele ainda considera que uma queda no PIB de 0,2% "é factível".   Ouça a entrevista "No último trimestre, houve grande desaceleração no mundo inteiro e, pelos dados que vimos até agora, não foi diferente no Brasil. Mas creio que a desaceleração no 1º trimestre será menor do que no último trimestre do ano passado", acrescentou. Segundo Salomon, resta saber agora qual será a herança deixada pelo último trimestre para a economia brasileira e mundial para o início deste ano. Ele avaliou que ainda é cedo para dizer que o pior da crise (global) já passou. "É muito cedo para falar que o pior já passou e haverá uma recuperação sistemática. Mas o pânico do mercado financeiro de setembro e outubro, acho que a gente não vai ver de novo", avaliou. Na opinião do economista, "o mercado de crédito dá gradualmente sinal de vida", mas há muita expectativa em relação ao pacote fiscal nos Estados Unidos e como a economia americana irá reagir aos estímulos dados pelo governo de Barack Obama. Além disso, ressaltou Salomon, as instituições financeiras seguem realinhando as expectativas de crescimento das economias este ano e isso, segundo ele, ainda está afetando a percepção do investidor, que por enquanto não abandonou a desconfiança em relação ao mercado acionário. Salomon disse também que as medidas sobre novas linhas de crédito com recursos das reservas internacionais, que devem ser anunciadas em breve pelo Banco Central, devem ter impacto importante no sentido de normalizar o mercado de crédito e restaurar o clima de confiança doméstica. Inflação A inflação deste ano deve convergir rápido para abaixo da meta de 4,5%, na opinião de Salomon. Segundo ele, o IPCA deve encerrar o ano em 4,2% ou 4,3%. Salomon disse que a desaceleração da economia deverá garantir o cumprimento da meta este ano e também dá espaço para o Banco Central seguir com afrouxamento monetário pelo menos até a metade do ano. O economista espera que a Selic caia mais 1 ponto porcentual, para 11,75%, na próxima reunião. Segundo ele, o BC deve manter os cortes até junho, quando a Selic poderá já estar em 10% ao ano, mas se os dados econômicos se mostrarem piores, o afrouxamento pode continuar. O economista comentou ainda que a queda de 12,4% da produção industrial em dezembro ante novembro de 2008 sinaliza a necessidade de mais cortes, embora ainda não seja possível mensurar até que ponto a queda na produção se deve a ciclo de estoques ou um sinal mais grave de desaceleração. "A gente ainda não sabe se os estoques já foram dissolvidos ou não. É o grande ponto de interrogação que a gente ainda vai precisar ver", afirmou. Salomon disse ainda que a nova linha de crédito com reservas internacionais, que o Banco Central deve anunciar em breve, irá ajudar as empresas na rolagem de suas dívidas, a não criar "demanda excepcional" no mercado de câmbio e assim melhorar a situação de crédito no País. "Mas não existe uma medida que resolva a crise que a gente esta passando. E o BC não está fazendo só isso. (...) O BC está colocando várias medidas para manter o mercado irrigado", ressaltou.

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