PIB deve estar nos níveis pré-crise ao fim de 2009

Para Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Santander, País voltou a crescer

Luciana Xavier, da Agência Estado,

30 de setembro de 2009 | 16h00

A crise no Brasil "em larga medida" ficou para trás e é possível que o País volte a crescer nos níveis anteriores à crise até o final deste ano, acredita o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. "Não superamos completamente os efeitos da crise, mas a economia tem condições de se recuperar com vigor maior do que o resto do mundo nos próximos trimestres. Acho que para o final do ano podemos estar com um nível de PIB semelhante àquele que nós tínhamos no 3º trimestre do ano passado", afirmou o economista, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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Schwartsman ressaltou, no entanto, que do ponto de vista de produção industrial a retomada aos patamares pré-crise deve ficar mais para o fim do 1º trimestre e começo do 2º trimestre de 2010. Para 2010, o economista prevê crescimento do PIB de 4,5%, com inflação fechando o ano que vem também em 4,5%.

O economista comentou ainda que a recuperação da economia fica clara com as novas emissões soberanas do Brasil. Esse movimento, segundo ele, abre caminho para operações privadas com prazos mais longos e contribui na trajetória da curva de juros. Hoje, o governo brasileiro voltou ao mercado internacional com uma nova emissão de bônus denominados em dólares, com vencimento em janeiro de 2041.

Segundo Schwartsman, o apetite do investidor estrangeiro em relação ao Brasil "continua muito bom". Porém, o economista evitou falar de emissões de ações do banco Santander e das perspectivas para o mercado acionário de um modo geral.

A abertura de capital do banco Santander está prevista para o dia 7 de outubro. Serão distribuídas na oferta primária 525 milhões de certificados de depósitos de ações (units), que equivalem a 55 ações ordinárias e 50 preferenciais cada uma, por um preço entre R$ 22,00 e R$ 25,00, a ser fixado em 6 de outubro.

Juros

 

Para Schwartsman, se a autoridade monetária tiver de subir os juros será a partir do segundo semestre de 2010 e não antes. A pressão inflacionária, segundo ele, deve vir dos gastos públicos. "A trajetória de juros não é independente da trajetória de gasto público", afirmou.

Ele acrescentou que o hiato do produto deve começar a "retornar a níveis mais complicados" a partir do final do ano que vem e início de 2011. O ex-diretor do BC disse ainda que prevê que a inflação fique dentro da meta em 2010, em 4,5%.

Para evitar ou postergar o início do aperto monetário seria necessário uma "política fiscal mais apertada", explicou. O problema, ressaltou o ex-diretor do BC, é que parte da "expansão considerável" dos gastos públicos deste ano é de gastos que não podem ser cortados no ano que vem, como salários do funcionalismo. "O gasto vai continuar elevado no ano que vem. Não há pressão nenhuma para se cortar gastos no País", afirmou.

As despesas do governo aumentaram R$ 50,3 bilhões de janeiro a agosto deste ano e o superávit primário recuou 68% nesse período em comparação aos oito primeiros meses do ano passado, segundo dados do Banco Central divulgados ontem. No entanto, Schwarstman acha que o governo não terá dificuldade em cumprir a meta de superávit primário deste ano de 1,56%, que é a que consta na proposta enviada ao Congresso, menor do que a meta oficial de 2,5% do PIB. Schwartsman tratou esta semana da questão fiscal em seu blog "A Mão Visível" (maovisivel.blogspot.com/).

Ele avalia que a retirada dos estímulos fiscais e o aumento da arrecadação devem permitir o cumprimento da meta de 3,3% de superávit primário em relação ao PIB prevista para 2010. Mas ele não tem dúvidas de que caso o governo perceba que não será possível cumprir esse objetivo, irá novamente mexer na meta.

Em relação ao câmbio, o economista-chefe do Santander não vê muito espaço para maior valorização do real e projeta o dólar em R$ 1,85 ao final deste ano. "O real deve flutuar em linha com os preços das commodities", avaliou.

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