PIB europeu e feriados acirram cautela e dólar sobe

Além da expectativa frustrada por um pacote de ajuda à Grécia, que ainda não saiu, o PIB do bloco europeu decepcionou

Taís Fuoco, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2010 | 17h03

O rol de notícias ruins em relação à Europa não deu uma trégua nem nesta sexta-feira que antecede os feriados de carnaval (no Brasil) e de Dia do Presidente (nos EUA). Não bastassem as frustrações depois da espera por um pacote na Grécia durante toda a semana - que até o momento não saiu - hoje o PIB de países do bloco acrescentou mais dor de cabeça aos investidores. As preocupações e o feriado americano de segunda, enquanto os mercados funcionarão normalmente na problemática Europa, ditaram as ordens e levaram todos a se precaver no dólar.

 

Com isso, a moeda no pronto da BM&F fechou a R$ 1,8635, com alta de 0,62%, enquanto no balcão a alta de 0,76%, a R$ 1,8630, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,8700 e a mínima de R$ 1,8580. Na semana, entretanto, o dólar acumula queda de 1,42% ante o real. O giro financeiro projetado para as operações com liquidação em dois dias (D+2) era de US$ 2,6 bilhões, ante os US$ 2,885 bilhões de ontem.

 

Segundo Bruno Lima, consultor em gerenciamento de risco da FCStone do Brasil, a alta da divisa americana hoje, em relação às principais moedas globais e ao real, teve dois fatores principais: o PIB dos países europeus, principalmente Alemanha e França, que estavam menos na mídia nos últimos dias, e o feriado americano de segunda-feira, enquanto a Europa terá um dia normal. "O pessoal prefere se proteger do lado do dólar para se precaver de que aconteça alguma coisa (no mercado europeu)", disse ele.

 

A Alemanha, maior economia do bloco, divulgou uma retração de 5% no PIB em 2009, maior queda desde o início do pós-guerra, enquanto a França teve recuo de 2,2% no PIB em 2009, maior queda anual desde 1945. No 4º trimestre de 2009 o PIB da Alemanha ficou inalterado, enquanto o da França registrou alta de 0,6%. No geral, o PIB da zona do euro cresceu 0,1% no quarto trimestre ante o terceiro, mas caiu 2,1% na comparação com igual intervalo do ano passado. No terceiro trimestre, o PIB da região havia aumentado 0,4% ante o segundo trimestre.

 

Perto das 16h40, o euro tinha queda de 0,45% sobre o fechamento da Comstock, baseado na meia noite de Nova York, negociado a US$ 1,3609, enquanto o dólar subia 0,37% sobre a divisa japonesa, a 89,94 ienes. Segundo operadores, a queda do euro só não foi maior (o euro chegou a perder os US$ 1,36 mais cedo) porque o sentimento do consumidor da Universidade

de Michigan e a Reuters decepcionou. O indicador americano caiu a 73,7 pontos em fevereiro, enquanto a estimativa era de 75.

 

A China também contribuiu para azedar o humor ao anunciar que vai elevar o compulsório bancário em 0,5 ponto porcentual a partir do dia 25, na segunda medida desse tipo este ano. Em meados de janeiro, o BC chinês aumentou o compulsório, também em 0,5 ponto porcentual. Após o aumento anunciado hoje, os grandes bancos serão obrigados a manter 16,5% de seus depósitos em reserva. O PBOC disse que as cooperativas de crédito rural e pequenas empresas financeiras não serão afetadas pela decisão anunciada hoje. A medida chega pouco antes do feriado do Ano Novo Lunar da China, a partir do dia 14, quando os

mercados financeiros locais estarão fechados durante toda a semana.

 

Internamente, o dia teve fluxo bem positivo e, mesmo assim, o dólar se valorizou, "o que mostra que o câmbio tem seguido menos os fatores internos que os externos. O local está ficando de lado", avaliou. Outra coisa que tem contribuído para a alta da moeda, na sua avaliação, é o aumento da posição comprada dos bancos no mercado à vista. Em janeiro, os bancos estavam

comprados em US$ 2,6 bilhões, posição que subiu para US$ 4,5 bilhões em fevereiro até dia 5. "Foi quase o dobro", citou o analista.

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