PIB no 2º trimestre pode ajudar Bovespa a abrir em alta

O dia pode ser um pouco melhor do que o esperado para a Bovespa, diante do crescimento robusto da economia brasileira no segundo trimestre deste ano. O maior resultado desde o primeiro trimestre de 2010, na comparação com os três primeiros meses de 2013, deve ajudar os negócios locais a garantirem o segundo mês consecutivo de ganhos, dando continuidade à tentativa de recuperação nesta segunda metade do ano. Ainda assim, o foco dos investidores também segue direcionado para um possível conflito na Síria combinado à a cada vez mais provável retirada dos estímulos monetários pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano. Às 10h10, o Ibovespa subia 0,81%, aos 50.328 pontos, na máxima.

OLÍVIA BULLA, Agencia Estado

30 de agosto de 2013 | 10h28

O economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, reconhece que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico entre abril e junho, de 1,5% ante o primeiro trimestre deste ano, superou a mais otimista das previsões entre os analistas do mercado financeiro. De fato, o resultado veio acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, de 0,60% a 1,30% (mediana de 0,90%). Já na comparação com igual período de 2012, o PIB cresceu 3,3% no trimestre passado, acima da mediana projetada de 2,50%, mas dentro das previsões (de 2,00% a 3,80%).

Contudo, Bandeira avalia que o problema está neste terceiro trimestre, que deve mostrar desaceleração da atividade. "Pode haver mudança nas expectativas para o crescimento anual, diante do PIB melhor no segundo trimestre, mas não deve ser nada de mais", afirmou, lembrando que o dia deve ser de "oba-oba" no governo federal. Às 11h30, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentará os números divulgados nesta sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao passo que a presidente Dilma Rousseff cumpre agenda oficial no Suriname.

Na primeira reação ao dado doméstico mais esperado do dia, o dólar à vista abriu os negócios no balcão em queda, ao passo que as taxas dos contratos de depósito interfinanceiro (DIs) estão niveladas ao ajuste da véspera. Já no exterior, as principais bolsas europeias e os índices futuros das Bolsas de Nova York adotam um comportamento lateral, com os investidores redobrando a cautela quanto às negociações no Ocidente sobre uma intervenção na Síria e digerindo os recentes indicadores econômicos nos Estados Unidos para avaliar quão próximo está o início da redução do programa de compra de bônus pelo Fed.

Há pouco, foi informado que o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) nos EUA subiu 0,1% em julho ante junho, mesma variação registrada pelo núcleo do indicador, que veio em linha com as projeções. Já a renda pessoal dos norte-americanos aumentou 0,1% em julho, no menor nível desde abril, ao passo que os consumidores gastaram mais cautelosamente com consumo, que subiu 0,1%, na mesma base de comparação. Economistas previam altas de 0,2% na renda pessoal e 0,3% nos gastos com consumo.

Para o economista da Órama Investimentos, essa e outras rodadas mistas de indicadores econômicos norte-americanos trazem dúvidas quanto à mudança de política monetária do Fed já em setembro. "Não há uma franca recuperação, embora os investidores estejam se preparando para isso", avalia Bandeira. No horário acima, o futuro do S&P 500 tinha alta de 0,14%.

Seja como for, a Bolsa deve acelerar os ganhos acumulados em agosto, em relação à alta de 1,64% em julho, traçando um cenário de recuperação da renda variável doméstica neste segundo semestre de 2013, após registrar o pior início de ano desde a crise do petróleo, nos anos 1970. Mesmo assim, Bandeira avalia ser difícil o Ibovespa fechar o ano na casa dos 60 mil pontos. Hoje, contudo, é provável retomar o degrau dos 50 mil pontos, perdido na última quarta-feira (dia 28), prevê.

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