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Pilotos são os mais agressivos nos investimentos, indica pesquisa

Levantamento com 20 mil investidores mostra que os pilotos de avião aplicam em média 62,5% de suas carteiras em ações

Pedro Ladislau Leite, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 18h56

Na hora de investir, um dos primeiros passos para decidir sobre onde colocar o seu dinheiro é definir um perfil de risco. Isso nada mais é do que avaliar sua capacidade de manter a estratégia de investimento, e a calma, diante de possíveis perdas com as oscilações do mercado.

Alguns fatores podem influenciar essa característica. Pessoas com mais renda, por exemplo, podem ter mais tolerância a prejuízos momentâneos. Mas e se a profissão do investidor tivesse relação com a sua exposição a risco? Foi para explorar essa hipótese que a Socopa Invest avaliou pela primeira vez as carteiras de 20 mil clientes em relação a suas profissões.

O braço digital da corretora Socopa descobriu que os pilotos de aeronaves são aqueles com mais sangue-frio, considerados com o perfil mais agressivo na pesquisa. Isso porque buscam lucros maiores ao investir em ações e, em compensação, precisam estar dispostos a perdas maiores. Na corretora, eles têm em suas carteiras um volume maior de ações, representando em média 62,5% dos investimentos.

Embora uma viagem de avião possa ser uma aventura para muita gente, a explicação para esse perfil mais agressivo não é a adrenalina, conta Eduardo Maciel Lorenzetti, piloto há 22 anos. Segundo ele, que começou a investir ao mesmo tempo que começou a carreira, o que pesa é entender e monitorar os riscos, uma exigência da profissão.

“O acompanhamento do risco faz parte da nossa rotina. As oscilações de curto prazo não dão frio na barriga porque mantenho uma visão de longo prazo, para a aposentadoria”, explica Lorenzetti, acrescentando que o desempenho dos papéis é tema recorrente nas conversas com os colegas.

A pesquisa também indicou que, para essa categoria, vale a máxima “em casa de ferreiro, espeto de pau”: apenas 17% dos pilotos investem em companhias aéreas. Segundo a Socopa, entre as profissões que mais investem em ações, também estão mecânicos, agrônomos e metalúrgicos.

Nas letras e artes, os mais conservadores

Do lado oposto, os mais sensíveis a perdas são os profissionais de letras e artes. Sem estômago para ver seus investimentos subirem e descerem com frequência, professores, escritores a artistas abrem mão de retornos maiores em troca de mais previsibilidade, investindo apenas 4,7% em ações.

Esse perfil conservador prefere colocar seu patrimônio em papéis de renda fixa, como títulos do Tesouro. Também fazem parte desse grupo os químicos, psicólogos e securitários.

O objetivo da pesquisa, afirma Rogério Manente, gerente-geral da Socopa Invest, foi tentar desvendar possíveis vieses de comportamento dos clientes. “Não vamos oferecer produtos com base apenas na profissão, mas nos ajuda a analisar o perfil de cada um”, diz. Manente estima que os clientes da Socopa, que tem uma carteira média de R$ 200 mil na corretora, investem em média 20% de suas aplicações em ações.

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