Pimco aumenta investimentos em bônus corporativos de emergentes

A Pacific Investment Management Co. (Pimco), maior gestora mundial de fundos de bônus, está intensificando seus investimentos em dívidas corporativas dos mercados emergentes como parte de uma ação mais ampla para aumentar sua exposição às economias que mais crescem atualmente e a ativos com os retornos mais elevados.

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

22 de abril de 2010 | 19h31

 

Os clientes da Pimco, entre os quais figuram fundos de pensão e companhias de seguro que são, em geral, os que mais demoram a se abrir para o mundo em desenvolvimento, têm progressivamente manifestado mais interesse nesse grupo de bônus, disse Ramin Toloui, um gerente de portfólio de mercados emergentes da Pimco. Ele fez o comentário por telefone a caminho de Washington para uma série de encontros patrocinada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

A própria Pimco identificou os mercados emergentes como uma oportunidade crescente e no mês passado elevou de 5% para 6% a exposição ao fundo mútuo de referência (benchmark) Total Return. No entanto, o lançamento do Global Advantage Bond Index pela Pimco no ano passado é um indicativo do quanto a companhia acredita que seus investidores devem estar expostos, prosseguiu Toloui. Cerca de 30% das alocações do índice estão em mercados emergentes, detalhou.

 

"Isso te dá uma noção do que pensamos quando falamos em novas oportunidades", declarou Toloui. "Nós estamos basicamente tentando iniciar uma conversação com investidores sobre qual formato desejam para suas carteiras de renda fixa", continuou o diretor.

 

De acordo com ele, os índices de crescimento econômico mais elevados e as relações dívida/PIB mais baixas das nações em desenvolvimento em comparação com os países industrializados devem ajudar a atrair investidores para essa classe de ativos.

 

"Os mercados emergentes passarão a ser, cada vez mais, parte de um núcleo de atração para investidores em renda fixa, que no passado consideravam os mercados emergentes como ativos de risco ou produtos exóticos, um item opcional em suas carteiras", sentenciou.

 

Toloui afirmou que a Pimco vem investindo em dívidas de companhias de energia e instituições financeiras estatais de países emergentes, assim como em companhias privadas dos setores de commodities, construção e infraestrutura. Grande parte desses investimentos está no Brasil, no México, na Rússia e na região do Golfo Pérsico. "Eles têm um yield mais elevado em relação aos bônus soberanos", afirmou.

 

Quanto ao esperado regresso da Argentina aos mercados internacionais de capital este ano, Toloui disse que a Pimco considera a possibilidade de participar. "Eu creio que os esforços da Argentina para normalizar suas relações com os credores precisa ser feita levando-se em consideração os riscos político e econômico", advertiu.

 

Ele disse ainda não ver o surgimento de uma bolha nos mercados de dívidas soberanas dos países emergentes, especialmente pelo fato de a redução dos prêmios de risco refletir uma melhora dessas economias. No entanto, ele adverte para o risco de uma correção no curto prazo, especialmente em um momento no qual a crise da dívida grega continua a pesar sobre os mercados internacionais. "Assistiremos a alguma volatilidade nos spreads durante esse período", comentou. As informações são da Dow Jones.

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