Plano anticrise da Europa injeta ânimo em bolsas de NY

Analista de investimentos, diz que mercado estava muito preocupado com o risco de problemas de liquidez na Europa

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

27 de outubro de 2011 | 19h04

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em alta após as autoridades da zona do euro divulgarem as linhas gerais de um plano para conter a crise das dívidas soberanas da região. A estratégia, baseada na redução do volume de dívida da Grécia, no aumento do poder de fogo da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês) e num reforço das reservas de capital dos bancos, foi bem recebida pelos investidores, mesmo trazendo poucos detalhes sobre como esses objetivos serão atingidos.

Segundo o plano europeu, os credores privados da Grécia precisariam aceitar uma baixa contábil de 50% no principal e nos rendimentos dos bônus gregos que possuem em seu poder. Além disso, a EFSF passaria a ser utilizada para melhorar o crédito das dívidas emitidas por nações da zona do euro e a operar com alavancagem, captando recursos de investidores do setor privado e do setor público.

"O mercado estava muito preocupado com o risco de problemas de liquidez na Europa prejudicarem o sistema financeiro e a recuperação da economia", disse Jim McDonald, estrategista-chefe de investimentos do Northern Trust. "O pacote mitiga significativamente esses riscos."

O Dow Jones subiu 339,51 pontos, ou 2,86%, para 12.208,55 pontos, voltando a operar acima dos 12 mil pontos pela primeira vez desde o início de agosto. Entre os componentes do índice, tiveram desempenho de destaque Alcoa (+9,46%), Bank of America (+9,56%) e JPMorgan (+8,31%). O Nasdaq avançou 87,96 pontos, ou 3,32%, para 2.738,63 pontos, enquanto o S&P 500 teve ganho de 42,59 pontos, ou 3,43%, para 1.284,59 pontos, passando a acumular alta em 2011.

O rali de hoje colocou alguns índices perto de algumas marcas históricas. Faltando apenas duas sessões para encerrar outubro, tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 já registram seu maior ganho mensal em termos porcentuais em 25 anos. Já o Nasdaq pode ter seu avanço mais acentuado em pontos desde janeiro de 2001.

O otimismo com a situação na Europa pesou sobre os Treasuries e impulsionou os juros desses papéis. No final da tarde em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 3,427%, de 3,220% na quarta-feira; o juro das T-notes de 10 anos estava em 2,378%, de 2,206%; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,319%, de 0,285%.

Indicadores divulgados mais cedo mostraram que a economia dos EUA cresceu 2,5% no terceiro trimestre, em dado anualizado, em comparação ao trimestre anterior, quando a expansão foi de 1,3%. Economistas esperavam uma alta de 2,7%, mas o desempenho foi suficientemente forte para agradar os investidores.

"Havia várias coisas perturbando o mercado, entre elas a possibilidade de um duplo mergulho" na recessão, disse Hank Herrmann, executivo-chefe da Waddell & Reed Financial. "Nós tiramos boa parte desse receio da mesa. Acho que o número do Produto Interno Bruto (PIB) hoje ajudou bastante nesse sentido."

Outros dados mostraram que o número de norte-americanos que entraram com pedido de auxílio-desemprego na semana passada caiu 2 mil, para 402 mil pessoas, e que as vendas pendentes de imóveis dos EUA caíram em setembro e atingiram o menor nível em cinco meses. As informações são da Dow Jones.

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