Plano do BC é ambicioso, avalia consultoria dos EUA

As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central do Brasil para conter a desvalorização do real foram as mais fortes tomadas até agora por um país emergente, mas se os investidores estrangeiros continuarem preferindo aplicar nos títulos do Tesouro norte-americano, elas podem ser insuficientes para conter o enfraquecimento do real, avalia a consultoria canadense Capital Economics.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

23 de agosto de 2013 | 10h57

O economista-chefe da consultoria para mercados emergentes, Neil Shearing, calcula que o montante de intervenção do BC brasileiro em um mês pelo novo programa, equivale a quatro meses de intervenção do banco da Índia, outro país que tem sofrido desvalorização forte de sua moeda. "É um plano bem grande para os padrões de um país emergente", avalia ele em um relatório, destacando os US$ 60 bilhões que o BC pode usar para defender o real. "Se o sentimento dos investidores continuar contra os mercados emergentes nas próximas semanas e meses, parece provável que o real pode cair mais", conclui Shearing.

Entre 24 moedas de países emergentes analisadas pela Capital Economics, o real foi a que mais se desvalorizou desde o dia 22 de maio, quando o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, disse pela primeira vez que as compras mensais de ativos poderiam ser reduzidas até o final deste ano. A expectativa por esta mudança provocou ajustes nas carteiras dos investidores e levou a retirada de recursos dos países emergentes. Desde aquela data, o real já se desvalorizou 16% ante o dólar, enquanto a moeda indiana perdeu 12%. Moedas de alguns países, como Polônia e Bulgária, até se valorizaram ante o dólar.

Para Shearing, a ação do BC brasileiro é uma clara intenção do banco de reconquistar a confiança e mostrar poder de fogo em um momento em que autoridades monetárias de países emergentes, principalmente na Índia, têm sido criticadas por ações lentas para conter o enfraquecimento de suas moedas. Além disso, uma deterioração ainda maior na confiança dos agentes pode tornar o processo de ajustamento no câmbio ainda mais complicado, destaca a consultoria.

Selic

A adoção destas medidas, avalia o economista, pode limitar a necessidade de aumentos maiores na taxa de juros para conter a alta do dólar e a inflação, como espera o mercado. A previsão do economista é que na reunião da semana que vem, a Selic deve ser elevada em 50 pontos-base, para 9% ao ano. Depois ele vê mais um aumento de 25 pontos, com a taxa encerrando o ano em 9,25% e seguindo nesse patamar por 2014. Ele ressalva que essa previsão leva em conta que o dólar não ultrapasse o nível de R$ 2,50.

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