Porta de saída reduz rentabilidade de títulos públicos

A volatilidade do mercado financeiro nas últimas semanas gerou grandes distorções na rentabilidade dos títulos públicos negociados no mercado secundário, o que levou o Tesouro Nacional a promover três leilões para acalmar os investidores mais nervosos, principalmente os estrangeiros. Nos dias 24, 25, e 26, o Tesouro fez leilões simultâneos de compra e venda de Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), títulos corrigidos pela inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O objetivo dos leilões foi dar aos investidores uma "porta de saída" para quem queria se desfazer desses títulos, mas não conseguia fazê-lo no mercado secundário. Também devido à volatilidade, o Tesouro cancelou leilões de títulos prefixados e acenou com a possibilidade de volta das ofertas de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis pós-fixados, atrelados à taxa Selic. Ao anunciar que faria os leilões simultâneos de NTN-Bs, o Tesouro justificou a necessidade de trazer de volta ao mercado os parâmetros de preços, perdidos em meio à volatilidade. Foram compradas NTN-Bs de dez vencimentos diferentes, entre maio de 2007 e maio de 2045. Em contrapartida, foram vendidos oito lotes desses mesmos títulos, com vencimento entre agosto de 2008 e maio de 2045. A estratégia deu certo e o mercado se acalmou. No primeiro leilão, no dia 24, o Tesouro comprou do mercado todo o limite de títulos, fixado em 1,5 milhão, e vendeu 521.350 papéis. Na quinta-feira, os limites foram mantidos, mas a compra de NTN-Bs ficou em 852.400 títulos. Na sexta-feira, a compra somou 818.800 papéis. Além das quantidades menores, as taxas dos papéis também foram reduzidas, mostrando que o desespero do investidor em se desfazer deles foi amenizado quando criou-se uma porta de saída. A NTN-B com vencimento em 15 de agosto de 2010, por exemplo, foi comprada com taxa de 11,11% no dia 24, passando para 10,65% no dia 25. O mesmo papel foi vendido pelo Tesouro com taxa 11% no dia 24 e de 10,60% no dia 26.

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