Possível acordo nos EUA pesará na abertura de NY

Faltando apenas um dia para o teto da dívida dos Estados Unidos ser alcançado, os índices do mercado futuro sinalizam que as bolsas norte-americanas devem iniciar o pregão desta quarta-feira, 16, em alta. Depois do fracasso na terça-feira, 15, em um plano dos republicanos da Câmara para resolver o problema, as atenções se voltam novamente para o Senado. Às 10h15 (de Brasília), o Dow Jones futuro subia 0,66%, o Nasdaq ganhava 0,45% e o S&P 500 avançava de 0,64%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

16 de outubro de 2013 | 10h25

A liderança republicana na Câmara dos Representantes não conseguiu apoio da ala mais conservadora do partido ontem à noite e com isso não ocorreu a votação de um plano para resolver as questões fiscais. Em meio ao impasse, a agência de classificação de risco Fitch ameaçou rebaixar o rating soberano dos Estados Unidos.

Com o fracasso na Câmara, os líderes dos democratas e republicanos no Senado reiniciaram as negociações. O senador republicano, John McCain, admitiu que a situação é muito séria e que seu partido tem de reconhecer "que perdeu esta batalha", pois está demandando algo que não é alcançável neste momento. Já o líder dos democratas, Harry Reid, disse por meio de um assessor que está otimista que um acordo será alcançado.

Para o estrategista-chefe da corretora Raymond James Scott Brown uma solução temporária como se cogita para elevar o teto da dívida vai ajudar a evitar uma catástrofe no mercado financeiro mundial no curto prazo, mas não remove a incerteza completamente. Em uma análise a investidores, o economista destaca que provavelmente a paralisação parcial do governo já deve ter subtraído de 0,3 a 0,4 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano.

Soma-se a esse valor mais 1,5 ponto porcentual retirado do PIB por causa do início dos cortes automáticos de gastos públicos em março e da elevação do imposto de renda no início do ano. Os EUA, em um momento de recuperação econômica, viram metade da sua taxa de expansão sumir por conta de questões fiscais, destaca o estrategista.

A própria diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, já havia chamado atenção na semana passada para o fato de os EUA terem feito um ajuste fiscal muito pesado este ano, enquanto falta uma mudança mais sustentável nas contas do governo para o médio e longo prazo.

Ontem, o mercado financeiro, que começou o dia animado com a possibilidade de um acordo em Washington, terminou o pregão frustrado com a manutenção do impasse, entre idas e vindas das discussões no Senado e na Câmara dos Representantes.

Além da questão fiscal, a quarta-feira tem o Livro Bege, um termômetro de como o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) está vendo a atividade econômica, que será divulgado às 15h (de Brasília).

O primeiro indicador do dia sairá logo após a abertura do pregão, às 11h (pelo horário de Brasília), e é o índice de confiança das construtoras, com dados de outubro. Os economistas do Wells Fargo, maior banco de hipotecas do país, avaliam que a paralisação do governo e o impasse político em Washington podem afetar o número, mesmo que o custo das hipotecas tenha parado de subir desde setembro, quando o Fed resolveu não reduzir os estímulos monetários. Em setembro, o índice ficou em 58 e a previsão é que recue para 57, mas, em um relatório a clientes, o Wells Fargo não destaca queda mais acentuada.

Três dirigentes do Fed falam ao longo do dia. A primeira a se apresentar é a presidente da regional de Cleveland, Sandra Pianalto, às 14h30 (horário de Brasília). Ela não tem poder de voto nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) este ano, mas no começo do mês disse que se tivesse poder de voto, seria a favor da redução das compras mensais de ativos em setembro, destacando que a melhora recente do mercado de trabalho justificaria a mudança.

Outra dirigente do Fed que fala nesta quarta-feira é a presidente da regional de Kansas City, Esther George, às 18h30 (de Brasília). Ela é uma crítica da política monetária acomodatícia de Ben Bernanke e famosa por votar contra nas reuniões do Fomc. No final de setembro, Esther declarou que o Fed perdeu a credibilidade ao não reduzir as compras de ativos em setembro como era esperado por Wall Street.

O último a falar é o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, às 19h45 (de Brasília). Fisher já fez apresentação ontem, quando criticou o impasse fiscal em Washington e afirmou que todo o esforço do Fed pode ir por água abaixo se o teto da dívida não for elevado. O dirigente disse ainda que nenhuma quantidade de dinheiro que o Fed injetar no mercado poderia ofuscar os prejuízos que a falta de acordo entre democratas e republicanos traria para a economia.

No mundo corporativo, o Bank of America anunciou lucro de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre, bem acima dos US$ 340 milhões do mesmo período do ano passado. O ganho superou as previsões dos analistas. As receitas subiram para US$ 21,5 bilhões, uma alta de 5,4%, mas ficaram abaixo do esperado. O resultado do banco foi puxado pela melhora na qualidade do crédito, que fez o banco reduzir as despesas com provisões para devedores duvidosos, mas as operações com crédito imobiliário e mercado de capitais tiveram desempenho fraco. No pré-mercado, o papel recuava 0,14%.

Quem também divulgou o balanço foi a PepsiCo, com lucro de US$ 1,21 bilhão no terceiro trimestre, praticamente estável em relação ao ganho do mesmo período de 2012 (US$ 1,20 bilhão). O faturamento subiu 1,5% e atingiu US$ 16,9 bilhões. O lucro ficou acima do esperado pelos economistas. No pré-mercado, a ação era negociada com ganho de 0,95%. (

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