Possível compra de bônus do BCE faz euro subir

Banco Central Europeu  estaria considerando limitar o retorno ao investidor dos bônus de países debilitados da zona do euro

Danielle Chaves, da Agência Estado,

20 de agosto de 2012 | 09h05

O euro subiu diante do dólar no começo do dia em reação a relatos de que o Banco Central Europeu (BCE) estaria considerando limitar os yields (retorno ao investidor) dos bônus de países debilitados da zona do euro. No entanto, comentários do governo da Alemanha e do próprio BCE sobre o assunto esfriaram os ganhos da moeda, que recuou para menos de US$ 1,23.

No fim de semana a revista alemã Der Spiegel afirmou que o BCE pretende limitar os yields soberanos em um esforço para reduzir a tensão no mercado de dívida. A notícia provocou queda nos yields dos bônus da Espanha e da Itália, o que colaborou para a alta do euro no início da sessão. Mas um porta-voz do Ministério de Finanças da Alemanha declarou que o plano seria problemático e o Bundesbank reiterou a oposição à compra de bônus pelo BCE. O próprio BCE declarou que a reportagem da revista é equivocada.

"Embora haja otimismo surgindo no mercado, ele é cauteloso porque (os investidores) já se acostumaram com decepções", comentou Daragh Maher, estrategista do HSBC Holdings em Londres. Como resultado, o euro caiu abaixo de US$ 1,23, depois de ter alcançado a máxima de US$ 1,2370. Operadores do Citigroup destacaram que na semana passada a moeda teve a menor oscilação diante do dólar desde julho de 2007.

Com poucos indicadores à frente, o noticiário político deverá guiar o mercado de câmbio nesta semana. "A atenção do mercado provavelmente vai se concentrar na crise da zona do euro novamente", disse Ulrich Leuchtmann, analista do Commerzbank. O principal foco continua sendo a Espanha. No fim de semana o ministro de Finanças do país, Luis de Guindos, pediu que o BCE faça compras grandes e abertas de bônus soberanos.

Além disso, a pressão da Grécia pela extensão do prazo para cumprir suas obrigações deverá ser tema das reuniões entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, marcadas para o fim desta semana.

Enquanto isso, o Riksbank, banco central da Suécia, afirmou que pretende elevar as previsões de crescimento econômico do país, o que pode dar mais força para a coroa sueca. Mais amplamente, o dólar se enfraqueceu diante de moedas ligadas a commodities, como os dólares australiano, neozelandês e canadense. Frente ao iene, o dólar permanece relativamente estável.

Às 8h48 (pelo horário de Brasília), o euro caía para US$ 1,2306, de US$ 1,2335 no fim da tarde de sexta-feira, e para 97,88 ienes, de 98,13 ienes, enquanto o dólar recuava para 79,52 ienes, de 79,57 ienes. A libra operava a US$ 1,5697, de US$ 1,5689 na sexta-feira. O índice do dólar medido pelo Wall Street Journal estava em 71,775, de 71,796. As informações são da Dow Jones.

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