Preço das Bolsas da América Latina cai US$ 335 bilhões

O valor de mercado das bolsas de valores da América Latina caiu US$ 335 bilhões entre 9 de maio e 13 de junho. O Brasil contribui com 55% desse montante e está disparado na liderança, com queda de US$ 187 bilhões no preço das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, que recuou de US$ 634,9 bilhões para US$ 448 bilhões. Mas, segundo analistas, o desempenho negativo da Bolsa brasileira no último mês é explicado pelo fato de o País ter sido o "queridinho" dos investidores na onda de otimismo iniciada no fim de 2002, no pós-eleição. Com os bons fundamentos da economia e o resultado positivo das empresas nos últimos anos, os investidores escolheram o Brasil para aumentar o portfólio de países emergentes. Como entrou muito dinheiro, a saída também foi maior. "É o reflexo do fluxo de recursos que entrou no País", diz o economista da Austin Rating, Alex Agostine. Isso não significa que as condições no País são piores que nos demais mercados. Recentemente o estrategista do Lehman Brothers, John Welch, afirmou que o Brasil está muito menos vulnerável que a Turquia na turbulência atual. Ele destacou diferenças nas políticas dos dois países. "A primeira é a política monetária." No Brasil, argumenta ele, o BC está flexibilizando os juros e a inflação permanece em trajetória descendente. Na América Latina, o México foi o segundo país a perder mais desde o início da turbulência, no começo de maio. O preço de mercado das 97 companhias listadas na Bolsa mexicana recuou de US$ 341,2 bilhões para US$ 256,5 bilhões - queda de US$ 85 bilhões. No Chile, a perda das 154 empresas foi de US$ 22 bilhões e na Argentina, de US$ 15 bilhões, num total de 67 companhias. Mas, apesar de elevada, as cifras da América Latina correspondem a apenas 27% das perdas das Bolsas americanas, de US$ 1,2 trilhão. Segundo dados da consultoria Economática, as 1.196 empresas listadas na Nasdaq e Dow Jones despencaram de US$ 14,9 trilhões para US$ 13,7 trilhões - queda de 8,05%. No total, Estados Unidos e América Latina perderam US$ 1,5 trilhão - números que podem assustar muitos investidores. Mas esse não é o caso de Rodrigo Maia. Apesar das perdas, ele está tranqüilo e acredita na reversão dos resultados da Bolsa. "Aprendi que temos de olhar o longo prazo e não ficar desesperado com a volatilidade do curto prazo." Para se precaver, no entanto, ele vendeu algumas ações no início da turbulência e embolsou os lucros dos últimos meses. Hoje, ele tem ações de apenas uma companhia, que prefere não revelar o nome. A primeira experiência de Maia no mercado acionário foi por meio de um clube de investimento, em que se aplica na Bolsa em conjunto com outros investidores. Aos poucos, foi conhecendo melhor o mercado, resolveu apostar sozinho e hoje compra ações por intermédio de uma corretora. A estratégia de Maia é investir em ações de empresas que estão estreando na Bolsa ou comprar papéis de companhias com grandes perspectivas de crescimento. "Vou aumentar minhas aplicações em Bolsa quando o mercado estiver mais calmo." Bons Fundamentos - Os especialistas acreditam que a volatilidade do mercado deve continuar por mais um tempo. "A política do Fed (banco central americano) precisa ficar mais clara para o mercado se acalmar", afirma o diretor de Renda Variável do Crédit Suisse First Boston (CSFB), Marcelo Kayath. Enquanto isso, a Bovespa vai acompanhar as Bolsas de Nova York, sem levar em conta os bons fundamentos da economia interna. As reservas estão num nível satisfatório, a balança comercial mantém saldo positivo, a inflação está controlada e a atividade tem sido crescente, diz Agostine, Da Austin Rating. Isso acaba refletindo no resultado das empresas e, conseqüentemente, no preço das ações. Os papéis dos bancos, por exemplo, foram alguns dos que apresentaram maior valorização nos últimos anos, por causa dos lucros recordes. Apesar da volatilidade do último mês, os papéis dos maiores bancos do País ainda mantêm valorização. No período de um ano, considerando as últimas perdas, as ações do Itaú (ON) contam com um ganho de 23,11%; Bradesco (ON), 60,85%; e Unibanco (unnit), 60,69%. O mesmo ocorre com o índice da Bovespa (Ibovespa), que ainda acumula valorização de 33,59%, apesar dos solavancos.

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