Preço de minério cai ao menor nível em 20 meses e derruba ações da Vale

A cotação do minério de ferro ficou abaixo de US$ 100 pela primeira vez em 20 meses e levou as ações da Vale a recuarem mais de 3%, provocando queda de 1,1% na Bolsa

Claudia Violante e Lucas Hirata,

19 de maio de 2014 | 17h36

Com sinais de desaceleração do mercado imobiliário da China, o preço do minério de ferro caiu ao menor patamar em 20 meses, derrubou a cotação das ações da Vale e puxou para baixo o índice Bovespa.

As ações preferencias da Vale fecharam em queda de 3,3%, enquanto as ordinárias recuaram 3,06%. Com o desempenho ruim da mineradora, a Bolsa de Valores terminou o dia com baixa de 1,1%, aos 53.353,10 pontos.

O preço do minério está em queda por causa dos sinais de desaceleração da economia chinesa, principalmente do mercado imobiliário. No fim de semana, o governo chinês divulgou indicadores dos preços das residências.

Cálculo do Wall Street Journal indica que o preço médio das casas subiu 6,42% em abril ante o mesmo mês do ano anterior. Em março, a alta havia sido de 7,32% e em fevereiro, de 8,19%. O resultado de abril foi o mais lento desde junho de 2013.

Os dados de desaceleração do setor de construção põem em dúvida as metas de crescimento chinesas, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF). "A meta da expansão da China, de 7,5% este ano, está sob pressão e esperamos novas medidas pró-crescimento nos próximos meses para conter o risco de desaquecimento da atividade", disse o IIF em relatório.

Sem as medidas de estímulo à economia chinesa, que responde por 60% das importações de minério, a cotação tem caído desde o início do ano. Ontem, o preço recuou 2,2%, para US$ 98,50 a tonelada. Foi a primeira vez em 20 meses que a cotação ficou abaixo de US$ 100 a tonelada, tido como custo médio de produção na China. No ano, a queda é de 27%.

Vale. Um relatório do Citi diz que o impacto do recuo do preço do minério de ferro no curto prazo sobre os resultados financeiros da Vale deve ser grande. Para os analistas do banco, a queda na cotação deve afetar a geração de caixa (Ebitda) da mineradora.

As contas do Citi indicam que o negócio de minério de ferro da Vale gerou um fluxo de caixa de US$ 67 por tonelada no ano passado, com o preço do metal em US$ 136 por tonelada. Esse resultado pode se reduzir para US$ 25 em 2015, caso o minério caia, no pior cenário, para US$ 90 por tonelada. Na sexta-feira, o Credit Suisse já havia cortado o preço-alvo das ações da Vale por causa das expectativas fracas para o preço do minério.

A situação é mais complicada para a Vale porque ela enfrenta concorrência direta de mineradoras australianas, que produzem um dos minérios mais baratos do mundo e estão investindo no aumento da produção.

A Rio Tinto vai aumentar a produção anual na Austrália em 20% nos próximos quatro anos. A Fortescue Metals deve elevar as exportações em mais de 13%. A BHP Billiton também investiu na ampliação de suas minas.

Para analistas financeiros, as notícias da China repercutiram na Bolsa, mas ainda há apetite pelas ações brasileiras. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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