Preço foi decidido na última hora, diz presidente da Chesf

Segundo Dilton da Conti, sócios definiram valor da tarifa já dentro da área de isolamento imposta pela Aneel

Kelly Lima, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 19h33

O presidente da Chesf, Dilton da Conti, disse nesta terça-feira, 20, que o valor da tarifa oferecida para a usina de Belo Monte no leilão foi decidido na última hora já dentro da área de isolamento imposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Os sócios discutiram isso e chegaram ao valor em consenso já bem na hora de apresentar a proposta", relatou o executivo da empresa com maior participação no consórcio vencedor de Belo Monte, em entrevista exclusiva à Agência Estado.

 

Ele negou que a companhia tenha decidido sozinha o valor final da tarifa, de R$ 77,97. "Houve discordâncias, mas isso é natural em consórcios", comentou. Segundo Conti, uma das sócias, a construtora Queiroz Galvão teria comentado a possibilidade de deixar o consórcio por ter considerado a tarifa baixa. "Mas ela dizer que vai sair, não significa que de vai deixar de assinar o contrato. Ela está na SPE que venceu o leilão e está comprometida com esta assinatura. Durante este período terá condições de avaliar melhor as condições e analisar se mantém ou não a parceria", disse o presidente da Chesf.

 

Segundo ele, se a construtora não se mantiver no negócio, a Chesf e suas parceiras vão buscar "quem tem condições e capacidade para construir a obra". Ele rebateu os comentários do mercado e de especialistas, que disseram que necessariamente a Odebrecht e a Camargo Correa deveriam ser contratadas para a realização da obra, já que foram as empresas responsáveis pela elaboração do projeto. "Nós não somos obrigados a contratar ninguém. Vamos decidir quem vai fazer parte deste negócio pela capacidade que a companhia tiver. Esta é a terceira maior usina do mundo. Maior que ela só Itaipu no Brasil. E leva o contrato que tem condições de tocar adiante este empreendimento".

 

O executivo também foi bastante categórico na defesa da tarifa apresentada pelo consórcio, que além da Chesf e da Queiroz Galvão também é formado pelas empresas Galvão (3,75%), Cetenco (5%), Mendes Júnior (3,75%), Bertin (13,77%), Serveng (3,75%) e J. Malucelli (9,98%). Segundo ele, os empresários, analistas e especialistas do setor que ficaram contra a tarifa sugerida pela Aneel ou mesmo criticaram a proposta da Chesf "estão mal informados e deveriam ter estudado melhor o projeto". Sem informar taxas de rentabilidade ou mesmo a perspectiva de investimento no negócio por "estratégia" própria, Conti argumentou que o negócio "é perfeitamente rentável" para a companhia. "Temos o compromisso de fazer esta empresa ser rentável. Não faríamos a obra se isso não significasse rentabilidade", disse.

 

Com participação de 49,9% no consórcio, a Chesf deverá ceder parte do negócio para a Eletronorte, a controlada da Eletrobrás que investiu na elaboração do projeto básico para a construção da obra localizada no Rio Xingu. Mas segundo Conti, ainda não há qualquer definição sobre qual será a participação no negócio.

 

Conti ainda garantiu que o consórcio está disposto a enfrentar para eventuais disputas judiciais que ocorrerem. "As três liminares que foram apresentadas foram derrubadas. Nós temos a licença ambiental. Não há o que temer. Nós estamos preparados para esta batalha se ela for necessária", comentou.

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