Leah Millis/Reuters
Leah Millis/Reuters

Biden pede ao Congresso suspensão de imposto sobre gasolina por 3 meses

Presidente americano também reforçou o pedido para que as petroleiras americanas aumentem a produção; após a fala, petróleo fechou em queda de 3%

Gabriel Bueno da Costa, lana Cardial e Gabriel Caldeira, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2022 | 08h56
Atualizado 22 de junho de 2022 | 23h21

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, solicitou nesta quarta-feira, 22, ao Congresso americano uma suspensão por três meses do imposto federal sobre gasolina. Em comunicado da Casa Branca, o governo destaca a alta "dramática" do preço do combustível pelo mundo, diante da guerra da Rússia na Ucrânia, e o "desafio significativo" que isso gera para as famílias trabalhadoras americanas.

Biden diz que encoraja companhias de petróleo e refinarias a ampliar a capacidade e a produção, a fim de conseguir mais oferta para o mercado. Ele solicita ao Congresso que retire por três meses o imposto federal e pede também que os Estados adotem isenções similares em seus tributos, a fim de prover "algum alívio direto" aos consumidores.

O pedido de Biden ocorre em um momento em que diversos países buscam alternativas para lidar com a alta dos combustíveis. No Brasil, o governo Bolsonaro propôs uma alternativa semelhante: zerar a alíquota dos impostos federais sobre a gasolina e o etanol, desde que os Estados também zerem as alíquotas do ICMS sobre o óleo diesel e o gás de cozinha. A medida no entanto teria duração bem mais longa do que nos EUA. A proposta é manter as alíquotas zeradas até o fim do ano, depois das eleições. 

Os Estados Unidos cobram atualmente US$ 0,18 por galão de gasolina e US$ 0,24 por galão de diesel em impostos.

O presidente americano admite que a retirada temporária do imposto federal sobre gasolina apenas não será suficiente para compensar a alta nos custos dos americanos, mas ao menos traz algum alívio imediato para as famílias. Ele argumenta que o Congresso deve fazer todo o necessário para ajudá-los, nesse quadro.

Biden pediu ainda às companhias americanas que repassem totalmente a suspensão do imposto federal aos consumidores. "Não é tempo para exploração", afirmou Biden, em discurso nesta tarde. "Quando o custo do petróleo diminuir, precisamos que a gasolina nos postos também abaixe", disse ele. 

De acordo com o presidente, nas últimas duas semanas, o preço do petróleo caiu em cerca de US$ 10, o que geralmente levaria a uma redução de US$ 0,25 na gasolina. "Mesmo assim, algumas empresas só reduziram em alguns centavos e outras não reduziram nada”, afirmou.

Petróleo fecha em queda

Após o pedido do presidente americano para que as petroleiras e as refinarias aumentem a produção, o petróleo fechou em queda robusta. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para agosto recuou 3,04% (US$ 3,33), a US$ 106,19, enquanto o do Brent para o mesmo mês tombou 2,54% (US$ 2,91) na Intercontinental Exchange (ICE), a US$ 111,74.

A queda das cotações também foi influenciada pelos temores do mercado sobre uma possível recessão em economias desenvolvidas por conta do aumento dos juros em todo o mundo. 

 

A perspectiva de aperto monetário de bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed) nos EUA e o Banco Central Europeu (BCE) na zona do euro, tem reforçado a expectativa de que as principais economias globais entrem em recessão em breve. Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, é possível que a economia americana contraia por causa da alta dos juros.

Em relatório divulgado nesta quarta, o Citigroup reduziu suas projeções para o crescimento da economia global neste ano e no próximo, e avaliou que há chance de 50% de que uma recessão agregada mundial ocorra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.