Prêmio de risco da dívida emergente tem maior alta desde outubro

O prêmio de risco do Embig subiu 19 pontos-base para 270 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde de ontem

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

28 de abril de 2010 | 08h53

O rendimento extra - ou prêmio de risco - que os investidores exigem dos tradicionalmente mais arriscados títulos da dívida emergente teve ontem sua maior elevação desde outubro do ano passado em meio às persistentes preocupações com as dívidas soberanas de países da periferia da zona do euro.

 

As vendas de ativos de risco se aceleraram bruscamente depois de a agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor's ter rebaixado os ratings de Grécia e Portugal.

 

"Até agora o mercado estava propenso a olhar a Grécia como um caso isolado", observou Dan Mullineaux, diretor de negócios de renda fixa em mercados emergentes da Knight Capital. "Mas tivemos muitas emissões durante este mês e estamos diante de uma perigosa combinação de manchetes negativas e excesso de oferta", avaliou.

 

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), calculado pelo JPMorgan, subia 19 pontos-base para 270 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde de ontem. O índice geral caiu 0,77% no dia. A última vez em que o spread do Embig subiu tanto foi em 27 de outubro, segundo o JPMorgan.

 

O movimento atingiu créditos de todo o mundo em desenvolvimento, mas os ativos de risco mais elevado, como os títulos da dívida de países do Leste Europeu, foram os que sofreram as maiores pressões de venda. Os bônus de Rússia, Polônia, Ucrânia e Hungria tiveram desempenho abaixo da média no dia.

 

Os novos títulos russos, emitidos na semana passada, os primeiros lançados por Moscou no mercado internacional em 12 anos, sofreram um golpe especificamente duro. Os títulos de cinco e dez anos do país, que na semana passada estavam acima de 99% do valor de face, eram negociados pouco acima de 96%. "O papel da Rússia foi precificado muito agressivamente. Foi uma das piores performances de hoje", disse Mullineaux.

 

Os investidores também se desfizeram de bônus voláteis como Argentina e Venezuela, que tiveram ganhos consideráveis nos últimos meses. O spread da Argentina no Embig aumentou 33 pontos-base, para 653 pontos-base sobre os Treasuries. O índice do país recuou 2,33%. As informações são da Dow Jones.

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