Prêmio pago a títulos da Grécia cai e euro sobe com notícia da Alemanha

Movimentos foram impulsionados pela informação de que o governo alemão considera abandonar a pressão por um reescalonamento da dívida grega para facilitar um novo pacote de ajuda

Danielle Chaves, da Agência Estado,

31 de maio de 2011 | 07h57

O spread (prêmio) entre os bônus da Grécia e os bunds alemães diminuiu e o euro atingiu uma máxima em três semanas diante do dólar nesta manhã. Os movimentos foram impulsionados por uma notícia publicada ontem no fim do dia pelo Wall Street Journal que afirmou que a Alemanha está considerando abandonar a pressão por um reescalonamento da dívida da Grécia para facilitar um novo pacote de ajuda para o país.

"Nós estamos vendo (os spreads da) periferia diminuírem conforme o apetite por risco melhora em seguida ao artigo do WSJ, mas os volumes não são grandes por enquanto", comentou um operador de Londres. A melhora no sentimento ajudou o euro a dar prosseguimento aos ganhos obtidos durante o pregão asiático. Pela manhã na Europa, o euro chegou a atingir US$ 1,4425. Às 8h a moeda era negociada a US$ 1,4405.

A diferença entre o yield (retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos da Grécia e o dos bunds alemães comparáveis, que são referência na Europa, caiu 32 pontos-base, para 1.300 pontos-base. Nos títulos de dois anos, a diferença recuou 36 pontos-base, para 2.284 pontos-base, enquanto nos papéis de cinco anos houve queda de 44 pontos-base, para 1.806 pontos-base.

A possibilidade de a Alemanha ser flexível gerou esperança de que a Grécia consiga obter mais financiamento, o que é muito positivo para o euro, afirmou Daragh Maher, estrategista do Credit Agricole. "Ninguém em sã consciência prevê a situação grega se resolvendo agora. (Mas) as últimas notícias talvez indiquem que os obstáculos não são tão ruins como se temia", disse.

Os receios de que a crise de dívida da periferia da zona do euro se aprofundasse deram suporte à demanda por bunds alemães recentemente, o que fez o yield oferecido pelos papéis de 10 anos cair para as mínimas em quatro meses na semana passada.

O Rabobank observou em uma nota que "existe a probabilidade de que qualquer suavização da posição da Alemanha com relação a uma 'redefinição do perfil' da dívida grega se prove um evento de curto prazo, destinado a evitar uma crise de financiamento imediata que poderia surgir caso o Fundo Monetário Internacional (FMI) parasse de desembolsar recursos (para a Grécia)".

"Essa questão provavelmente vai voltar no curto prazo e pode, talvez, ser tratada nas discussões do Eurogroup sobre a Grécia marcadas para 20 de junho", segundo o Rabobank. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.