Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Presidente do BC americano alivia mercados e Bolsa brasileira sobe 1,93% nesta terça-feira

Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o aumento da taxa de juros dos Estados Unidos deve ser gradual; com isso, investidores se animaram, dólar fechou aos R$ 3,8450, em baixa de 0,46%, e Bolsa deu lucro

Simone Cavalcanti, Paula Dias e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2018 | 14h01
Atualizado 17 de julho de 2018 | 20h05

A Bolsa de Valores manteve uma trajetória firme alta durante toda a terça-feira, 17, e o índice com as principais ações negociadas na casa, o Ibovespa, retornou ao nível dos 78 mil pontos, o que não ocorria desde 4 de junho deste ano. Pesaram para o bom humor o clima mais ameno no exterior, motivado pela tom mais ameno da política econômica norte-americana, e a esperança disseminada de que a atual safra de balanços financerios das empresas brasileiros traga números mais positivos. A Bolsa fechou aos 78.130,30 pontos, em alta de 1,93%

+ Big Mac no Brasil é o mais caro do mundo, aponta índice

+ Alta do dólar encarece matéria-prima e pressiona margem de lucro da indústria

Na contramão do movimento de alta que predominou no mercado internacional, o dólar firmou-se em baixa ante o real. Depois de ter enfrentado alguma instabilidade pela manhã, a moeda americana consolidou o viés negativo à tarde e fechou aos R$ 3,8450, em baixa de 0,46%. Os negócios no mercado à vista somaram US$ 443 milhões e, no futuro, US$ 12,9 bilhões.

Bolsa. Em um mês, os ganhos da Bolsa voltaram ao patamar dos dois dígitos (10,42%). O giro financeiro (a volume de compra e venda de ações), porém, manteve-se na média dos últimos 30 dias e ficou em R$ 10,5 bilhões. Mas a valorização do mercado explica-se, principalmente, pela declaração do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, que reafirmou que não vai intensificar o ritmo de aumento na taxa de juros dos país.

Essa informação é importante para a atração de capital estrangeiro em mercados emergentes, como é o brasileiro, já que no caso de uma taxa de juros mais alta nos Estados Unidos, o capital tende a sair do risco brasileiro para migrar para a segurança da renda fixa americana.

"Tem um clima mais positivo, mas não necessariamente reversão de tendência. É uma recuperação de uns preços que estavam bem aviltados", disse Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor. 

As blue chips (ações mais negociadas) ajudaram a sustentar o bom dia do principal índice da Bolsa brasileira. Ganharam destaque as ações do setor financeiro, onde as units do Santander avançaram 3,87%, as do Banco do Brasil ganharam 3,35%, as do Bradesco tiveram alta de 2,88% e do Itaú Unibanco, 1,88%. Os papéis de Petrobrás e Vale também mostraram bom desempenho. Os primeiros avançaram 3,34% (ON) e 2,29% (PN) e o segundo, 1,40%.

Renda variável. Segundo o gerente da H.Commcor, sem muita alternativa na renda fixa, cujos ganhos reduziram enormemente com a queda da taxa Selic ao menor patamar histórico, e algumas casas já dando indicativo de compra, a renda variável volta a ser uma opção. Santos, porém, disse que os estrangeiros ainda não estão vindo com força, como visto no início deste ano. 

De acordo com a B3, os investidores não-residentes ingressaram com R$ 138,317 milhões no pregão da última sexta-feira, 13. Em julho, aos poucos, os recursos externos começam a voltar para a Bolsa, sendo que o saldo já está positivo em R$ 2,345 bilhões. Mas, mesmo com o resultado, o acumulado no ano segue negativo em R$ 7,593 bilhões.

Dólar. Por aqui, as cotações alternaram altas e baixas até o início da tarde, mas ingressaram definitivamente no terreno negativo após as 14h. Para Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora, a queda do dólar pode ser vista como um evento pontual, dadas as indefinições que seguem no cenário. Para ele, o discurso de Jerome Powell não trouxe novidade no que diz respeito à defesa do gradualismo na política monetária.

Para diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, a trégua no noticiário doméstico e a desvalorização recente dos ativos brasileiros motivaram a reversão na Bolsa, o que trouxe fluxo de divisas ao País e provocou a queda mais intensa do dólar ao longo da tarde. No entanto, ele também acredita que se trata de um movimento de curto prazo.

Faria Junior alertou que as definições de alianças políticas para as eleições, com a realização das convenções nas próximas semanas, podem reverter esse bom humor, principalmente se houver fortalecimento de candidatos "não reformistas". "A chance de isso ser sustentável não é grande", afirmou. O fato de o movimento do real estar descolado de outras moedas é outro sinal disso, segundo ele. 

"Julho é um mês perigoso, marcado pela redução do volume de negócios devido às férias no Hemisfério Norte. Com o restabelecimento da liquidez e a proximidade das eleições no Brasil, a questão política vai pesar bastante", disse Faganello da Advanced.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.