Previ: temos fôlego longo para enfrentar a crise

O presidente do fundo, no entanto, considera necessário o BC parar de subir o juro

Luciana Xavier e Irany Tereza,

17 Outubro 2008 | 16h56

O presidente da Previ, Sérgio Rosa, disse ao AE Broadcast Ao Vivo que a crise financeira atual é séria, que a Previ já teve perdas em ações, mas que é preciso pensar no longo prazo e "ter muita prudência para não fazer bobagem" e sair vendendo ações.Ouça a entrevista"Não sabemos o tamanho do estrago desta crise no mundo. Ela tomou proporções significativas. Mas a Previ acumulou rentabilidade expressiva nos últimos anos e temos fôlego bastante longo para enfrentar uma crise dessas", afirmou.A Previ é o maior fundo de pensão do País e o maior investidor isolado, com patrimônio de R$ 128 bilhões, segundo Rosa. No final do ano passado, o patrimônio era de R$ 138 bilhões. Em maio, o patrimônio atingiu a marca histórica de R$ 140 bilhões.Segundo ele, a participação da Previ em ações caiu de 65% para 58% por causa da crise. A participação em renda fixa está em 35% e o restante em imóveis e empréstimos. O presidente disse que a Previ não tem como fazer hedge contra as perdas com a crise, mas espera que a bolsa volte a subir até o final do ano e que as perdas sejam recuperadas para, pelo menos, empatar com o patrimônio do final do ano passado.CopomA situação do crédito no Brasil já é preocupante e por isso o Banco Central deve rever sua estratégia de política monetária, afirmou Rosa. "Não há espaço para mais alta de juro nesse momento", avaliou. O Copom se reúne nos dias 28 e 29 para decidir o futuro da Selic, atualmente em 13,75%.Para o presidente da Previ, a alta do dólar não deve perdurar por muito tempo. "E a recessão (global) deve dar conta do processo inflacionário", comentou. Rosa avalia que no médio prazo o BC deveria começar a cortar a taxa básica.Apesar de reconhecer que há restrição de crédito no País, Sérgio Rosa não acredita que o País terá quebradeira de empresas, como já se percebe em outros países, como a China. "Estamos mais confiantes em relação às nossas empresas. Elas estão sofrendo as conseqüências da crise, mas as condições macro do País são positivas e o BC está agindo e de maneira rápida. A percepção é que o Brasil não vai passar incólume pela crise, mas vai sofrer menos". CâmbioA Previ está questionando não apenas a Sadia, mas todas as empresas nas quais tem participação acionária relevante sobre investimentos em câmbio que possam causar prejuízos financeiros. O presidente do fundo criticou as operações em derivativos cambiais e revelou, sem citar nomes, que algumas empresas recusaram propostas de hedge (proteção) cambial. "Não são operações adequadas para empresas", disse Rosa, ao ser indagado sobre o caso da Sadia, na qual a Previ detém 7,32% do capital."Apostas em qualquer mecanismo financeiro que extrapole a necessidade de proteger as operações, dívidas ou custos das empresas acabam expondo-as a riscos desnecessários. A prova disso está aparecendo agora. Temos conhecimento de empresas nas quais temos participação mais relevante onde essas propostas de operações de hedge foram feitas e recusadas, até seguindo de maneira mais estrita o manual de operações financeiras que estas empresas costumam adotar", afirmou.Ele garantiu que a Previ insistirá na convocação de uma assembléia extraordinária da Sadia, mas preferiu não se estender sobre providências que possam ser tomadas, apesar de rumores de mercado apontarem para um eventual questionamento na Justiça."Entendo que foram operações inadequadas que infelizmente expuseram as empresas a perdas relevantes. Como acionistas de algumas dessas empresas estamos solicitando explicações. Queremos saber o que aconteceu, se a empresa realmente tem uma política autorizando esse tipo de operação, se essas operações foram feitas apesar de recomendações expressas em seus manuais. Enfim, queremos entender para que possamos propor eventuais correções rumo e tomar eventuais providências a partir da informação que vamos receber."Sobre o tipo de providência, ele foi evasivo: "Desde propostas para que adotem políticas de operações financeiras um pouco mais consistentes até, eventualmente... outras providências. Mas antes das explicações qualquer hipótese não ajuda nada a resolver o problema. Nosso objetivo é que a empresa se fortaleça. Somos acionistas, temos interesse na saúde e no sucesso da empresa. Nosso objetivo no momento é obter as informações adequadas e é nisso que vamos insistir", disse.ExposiçãoO presidente da Previ revelou que foi feito um levantamento nas contas das "cinco ou seis" grandes companhias nas quais participa do controle acionário e não foi encontrada nenhuma exposição excessiva em dólar. "Nenhuma das empresas mais relevantes adotou esse tipo de operação. Em alguns casos, as empresas foram apresentadas a esta possibilidade, mas não há nenhuma exposta", afirmou.A Previ tem participação acionária em mais de 70 empresas e orientou os conselheiros que representam a fundação a fazerem levantamento semelhante. "Fizemos uma recomendação geral aos conselheiros para fazer levantamento, mas nenhum nos deu retorno até o momento. Eles estão agindo com prudência, observando o sigilo financeiro e não necessariamente têm de nos dar a informação em primeira mão. O que estamos cobrando é uma participação mais proativa deles".

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