FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Previdência volta a preocupar e Bolsa recua 1,8% nesta quinta-feira

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que há espaço para negociar a idade mínima das mulheres e o valor do BPC; investidores avaliam que o governo pode acabar cedendo na reforma, o que prejudicaria o ajuste fiscal

Antonio Perez e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 19h17

A aversão ao risco predominou nos negócios desta quinta-feira, 28, com novas desconfianças em relação à reforma da Previdência aparecendo no radar dos investidores. A leitura é de que as negociações mal começaram e o governo já se mostra disposto a ceder na idade mínima, item essencial para o ajuste das contas públicas.

Como o exterior também não ajudou muito, visto que o PIB um pouco acima do previsto nos Estados Unidos foi ofuscado pela visão de que a tendência da economia americana e global é de desaceleração, o Ibovespa perdeu quase 2 mil pontos nesse pregão. O principal índice do País cedeu 1,77%, aos 95.584,35 pontos.

O dólar teve uma manhã volátil, mas se firmou em alta à tarde, depois da definição da taxa e ao mesmo tempo em que começavam a surgir as primeiras informações da conversa de Bolsonaro com a imprensa. Com a piora de percepção sobre a reforma e de olho no comportamento externo, a moeda americana ante o real subiu 0,62%, a R$ 3,7535 no mercado à vista. No mês, a divisa acumulou ganho de 2,58%, o maior desde novembro.

Nesta quarta-feira, ao dizer a jornalistas que há espaço para negociar a idade mínima das mulheres e o valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC), o presidente Jair Bolsonaro acabou sinalizando que o texto final aprovado pelo Congresso poderá ficar aquém da proposta original.

Além disso, o crescimento abaixo do previsto do PIB do Brasil em 2018, de 1,1%, gerou piora nas projeções da atividade também neste ano, o que também contribuiu para a cautela dos agentes. Por fim, no caso do Ibovespa, a possibilidade de o Brasil perder espaço no índice MSCI, que reúne papéis de empresas dos principais emergentes, coroou o dia negativo para as ações, levando o Ibovespa a ceder 1,86% em fevereiro.

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