Principal desafio da nova Varig é reaver aviões

A negociação com as empresas de leasing para reaver os aviões da Varig que estão parados, sob ameaça de arresto, ou já foram retomados, será o principal desafio da VarigLog, empresa que arrematou a Varig no leilão de hoje. O representante da VarigLog, João Luiz Souza, explicou que agora as negociações serão melhores porque a empresa já tem autoridade para fechar acordos em nome da Varig.Atualmente uma consultoria, contratada pela VarigLog, trabalha para analisar quais os aviões que estão em melhores condições e seriam mais vantajosos para a Varig reaver, além de analisar também as aeronaves que estão paradas hoje sob ameaça de arresto. Segundo ele, será com base nessas informações que a nova companhia poderá definir sua malha e o número de funcionários que irá ter. "Acredito que em 10 a 15 dias já se possa responder a essas perguntas", disse.O presidente da Varig, Marcelo Bottini, acredita que as negociações possam mudar radicalmente o desenho do tamanho da nova companhia. Em entrevista à imprensa realizada após o leilão, o representante da Volo, empresa que controla a VarigLog, Marco Antônio Audi, revelou que o grupo está negociando parcerias com empresas aéreas, entre elas a canadense Aeroplas para dar fôlego à nova empresa. Entretanto, destacou que nada foi assinado oficialmente até o momento.Os executivos confirmaram o interesse de reaver todas as rotas da Varig que foram suspensas e hoje estão sendo atendidas por outras companhias aéreas dentro do plano de contingência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).Audi disse que o juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, vai solicitar à Justiça norte-americana a extensão do prazo que protege as aeronaves da Varig de arresto. Amanhã será realizada em Nova York uma audiência para discutir o assunto.Valor da compraA Varig foi vendida hoje por um preço mínimo de US$ 20 milhões para a VarigLog, que fez uma proposta total de US$ 500 milhões pela companhia aérea. A maior parte desses recursos serão investimentos na nova companhia que será criada para operar as rotas da antiga Varig. Além destes investimentos a empresa está assumindo várias dívidas da companhia aérea, como as obrigações do programa de milhagem Smiles. Neste total está incluído também o equivalente a US$ 100 milhões em debêntures que serão convertidas em até 10% de participação acionária na nova companhia para os credores.A Justiça do Rio deverá homologar a venda da Varig ainda hoje, segundo o juiz Paulo Roberto Fragoso, que integra a comissão de juízes responsável pela recuperação judicial da companhia aérea. Segundo ele, nas próximas 48 horas a VarigLog deverá fazer um depósito de US$ 75 milhões para a Varig, conforme o plano de investimentos previsto pela ex-subsidiária de logística e transporte de cargas."O mais importante a ocorrer é que a Varig nova vai crescer, não tenho dúvida disso. Agora, é muito importante a manutenção da Varig antiga, que ela seja saneada para fazer frente às despesas que vem assumindo", afirmou Fragoso. O juiz se referiu à empresa que permanecerá em recuperação judicial para amortizar o passivo total da Varig, de R$ 7,9 bilhões.Lista de funcionáriosA lista de funcionários que serão aproveitados na nova empresa que será criada será divulgada nos próximos três dias. O representante da Volo, Marco Antônio Audi, explicou que esse número de empregados que serão aproveitados vai depender da quantidade de aeronaves que a nova empresa vai dispor. A companhia pretende negociar com empresas de leasing para voltar a operar com aeronaves que hoje estão paradas hoje, sob ameaça de arresto.Audi disse também que nos próximos dias será anunciada a nova diretoria da empresa. Mas confirmou que o atual presidente da Varig, Marcelo Bottini, vai continuar à frente da companhia aérea durante o período de transição que, segundo ele, não será curto. "Acredito que Bottini é a pessoa certa para terminar o atual processo de recuperação da companhia", disse.FinanciamentoO ministro da Defesa, Valdir Pires, disse que a venda da Varig para a VarigLog ocorrida hoje dá condições para que bancos financiem a companhia. Em entrevista na Base Aérea de Brasília, onde participou da entrega da medalha mérito Santos Dumont, Valdir Pires afirmou que a solução da venda foi a possível."Se for uma empresa que tenha condições, eu tenho a impressão que a Varig vai ter possibilidade de negociar com os bancos financiamento", disse ele referindo-se à VarigLog. Pires deixou claro, no entanto, que o governo esperava uma outra solução para a empresa. "Eu desejaria que nossas empresas tivessem feito um consórcio, se juntado e encontrado uma solução mais robusta", disse."O juiz decidiu na circunstância que ele encontrou", afirmou, referindo-se ao juiz Luiz Roberto Ayoub, que conduziu o processo de recuperação judicial da Varig. Segundo o ministro, a BR Distribuidora, o BNDES e a Infraero sempre estiveram abertos na busca de uma solução para a Varig. "Evidentemente, (as ajudas) devem ser para pessoas jurídicas que têm crédito. Eu não encontro no detalhe de quem comprou. O que eu achei bom é que não tenha tido a falência".

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