Produtos com viés ambiental elevam as receitas da Philips e GE

Em tempos de preocupação com mudanças climáticas, o que é verde, definitivamente, vende. Produtos eficientes e que contribuem de alguma forma para a preservação do meio ambiente engordaram as receitas mundiais da Philips em 4 bilhões em 2006 (R$ 11 bilhões). O valor é o dobro da receita de 2005 e corresponde a 15% do fluxo de renda total da companhia. A gigante General Electric ainda não divulgou o balanço da produção com apelo ecológico, a chamada linha Ecoimagination, mas em 2005, a receita atingiu a marca de US$ 10 bilhões (R$ 21 bilhões).Dentro das linhas Ecoimagination da GE e GreenFlagship da Philips destacam-se produtos para iluminação, como lâmpadas fluorescentes de uso residencial, profissional ou para fins de iluminação pública. São produtos que se encaixam perfeitamente no marketing ecológico - são mais eficiente do ponto de vista de consumo de energia, ajudam a economizar na conta de luz, além, claro, de engordar os lucros das empresas por agregar bem mais valor que as incandescentes. As lâmpadas fluorescentes chegam a custar 10 vezes mais que as comuns, que não passam de R$ 2. Para o consumidor, a economia na conta de luz é de US$ 4 em um ano, passando para US$ 10 por ano durante os cinco anos seguintes. E o impacto ambiental não é desprezível, dado que 19% do consumo de eletricidade no mundo é direcionado para iluminação. Não é por outra razão que os fabricantes mundiais de lâmpadas - como Philips, GE, Osram -, estão liderando uma campanha internacional de substituição total, até 2010, de lâmpadas incandescentes tradicionais por fluorescentes, que consomem até 80% menos energia. EuropaCerca de 80% da iluminação residencial da Europa e também do Brasil ainda é feita com lâmpadas incandescentes - produto que praticamente não sofreu evolução tecnológica desde os tempos de Thomas Edson, em fins do século 19. Nada menos que 95% da energia consumida é desperdiçada na forma de calor. Já as econômicas, inventadas na década de 80, nasceram 65% mais eficientes. Hoje, nos modelos de ponta, essa eficiência chega a 85%.?A questão da sustentabilidade virou um grande negócio?, diz o CEO da Philips Iluminação para América Latina, Manuel Frade. ?Há um forte movimento de substituição de projetos de iluminação por soluções mais econômicas.? O mercado de lâmpadas econômicas no Brasil tem crescido cerca de 30% ao ano, enquanto o de incandescentes está estagnado. O apagão em 2001 foi o grande propulsor: as importações saltaram de 8 milhões de unidades para 80 milhões. O programa de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que obriga os distribuidores de energia a investir 0,25% da receita anual em programas de eficiência tem contribuído para impulsionar as vendas. Os projetos preferidos das distribuidoras consistem, basicamente, na aquisição e distribuição gratuita de lâmpadas econômicas. No ano passado, 64 distribuidoras compraram 2,7 milhões de lâmpadas.No entanto, o consumo de fluorescentes compactas - de uso residencial - ainda é baixo e nenhum fabricante se dispôs a fabricá-las no Brasil. Hoje os três líderes - Philips, GE e Osram - têm 40% do mercado e reclamam do subfaturamento de lâmpadas menos eficientes importadas da China, que chegam a custar três vezes menos. ?O apagão abriu o mercado, mas faltou fiscalização?, diz Frade. ?Algumas marcas chinesas são respeitáveis, mas a maioria não tem a durabilidade que deveria.?Pelo volume e também pelas dificuldades de transportes, as fluorescentes de uso profissional são fabricadas no Brasil. No ano passado, um modelo desenvolvido na subsidiária brasileira da Philips, mais eficiente e que consome menos mercúrio, ganhou o selo GreenFlagship da matriz. Para dar conta da demanda européia, 15 milhões de unidades foram exportadas do Brasil.

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