Projeções indicam taxa Selic de 13,25% em dezembro

O corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic decidido ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, para 16,5% ao ano, pode ter sido decepcionante, mas está em linha com projeções cada vez mais otimistas do mercado sobre a trajetória futura da taxa. No início de novembro, a média das expectativas era que a Selic fechasse 2006 em 16%. Em 3 de março, a média tinha caído para 14,5%, mas, na verdade, um processo de revisão está em curso e já há instituições com previsões bem abaixo disso. O Itaú, por exemplo, prevê que a Selic termine o ano em 13,25% ou 13,5%, segundo o gerente de Política Monetária do Departamento Econômico do banco, Joel Bogdanski. Como outras instituições que fazem projeções sistemáticas dos principais indicadores econômicos, o Itaú já não espera que o BC interrompa os cortes da Selic em algum momento para verificar seus efeitos. A expectativa agora é que haja cortes em todas as reuniões até o fim do ano. Uma trajetória provável, explica Bogdanski, seria de mais um corte de 0,75 em abril e de 0,5 nas seis reuniões restantes, levando a Selic para 13,25% em novembro de 2006. O diretor-executivo do Modal Asset Management, Alexandre Pavan Póvoa, diz que a instituição está revisando a projeção de Selic de 14,5% para 14% no fim do ano. O Crédit Suisse fez uma revisão idêntica e prevê cortes de 0,75 em abril e maio, seguidos de redução de 0,50 em julho e mais dois cortes de 0,25 em setembro e outubro - isto é, diminuição em todas as reuniões do Copom no ano, com exceção da última, em novembro. As razões para o otimismo são a queda das expectativas de inflação para 4,42%, abaixo do centro da meta de 4,5% para 2006, e a grande melhora nas condições macroeconômicas e externas, com a redução do risco Brasil e o fim da dívida líquida do governo atrelada ao dólar (quando se considera a dívida externa, as reservas internacionais e débitos e créditos dolarizados no mercado interno). "Houve melhora brutal do risco Brasil", diz Póvoa. Nos últimos dias, porém, a combinação de uma ligeira piora no cenário externo e mudanças na atuação do BC no câmbio trouxeram dúvidas ao mercado. O BC interrompeu os leilões de swaps reversos, pelos quais aumenta a sua posição credora em dólares, e não fez compras no mercado durante dois dias, retomando o procedimento ontem. A interpretação mais simples da ação do BC foi que, diante da pressão no dólar, derivada da piora do cenário externo, preferiu não atuar. Outra seria que, atuando menos e deixando o câmbio se valorizar, o BC reforçaria um aliado antiinflacionário, o que, teoricamente, abriria espaço para cortes mais rápidos da Selic. O corte de 0,75 ponto porcentual, e não de 1 ponto, porém, não confirmou a idéia de que as novidades no câmbio tenham alguma relação com as decisões do Copom. Quanto à piora do mercado externo em si, basicamente uma alta das taxas de juros longas nos Estados Unidos, o mercado tende a ver mais como um ajuste natural, que não deve mudar no médio e longo prazo as boas condições da economia brasileira. "O que interessa ao Copom não se alterou fundamentalmente com as mudanças no mercado internacional - a expectativa de inflação é a mesma", comenta Bogdanski. Ele acredita que a alta dos juros causou uma volatilidade de curto prazo, que deve se reverter rapidamente. Apesar do otimismo, o Brasil ainda deve se manter como campeão mundial de juros reais por um bom tempo. Com o corte de ontem na Selic, o País manteve a liderança, com folga. Os juros reais brasileiros são de 11,6% ao ano, segundo a consultoria GRC Visão. O País está bem à frente do segundo colocado, Cingapura, com juros reais de 7% ao ano, e do terceiro colocado, a Turquia, com 5,2%.

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