Projeções para o câmbio podem cair mais, dizem analistas

Analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado acreditam que a queda das projeções para o câmbio, vista na quarta-feira na pesquisa Focus, ainda tem espaço para continuar. De acordo com o levantamento semanal do Banco Central, a mediana das estimativas para o dólar em relação ao real cedeu não apenas no curto prazo (de R$ 2,12 para R$ 2,11 para fevereiro e de R$ 2,13 para R$ 2,11, para março), mas também para o fim de 2007 (de R$ 2,18 para R$ 2,15) e de 2008 (de R$ 2,29 para R$ 2,25). ?Acredito que este movimento deva continuar até que a mediana para o dólar ao final deste ano fique em R$ 2,10?, previu o economista-chefe da Mauá Investimentos, Caio Megale, que já conta com esta cotação para o final de 2007. Para ele, o movimento visto esta semana na Focus é natural, já que houve melhora das contas externas nos últimos três meses. Sua avaliação é de que, quando há melhora principalmente dos termos de troca em um mês, analistas do mercado financeiro aguardam para ver se trata-se apenas de um movimento isolado. ?Os termos de troca da balança comercial, que já estavam bons, melhoraram ainda mais nos últimos três meses, fazendo com que as expectativas sejam mais positivas?, explicou. Além disso, Megale acrescentou que a perspectiva de novas aberturas de capital de empresas também colabora positivamente para a queda da cotação do dólar. ?Além da balança e do fluxo cambial também é boa a expectativa em relação a novos IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês)?, disse. Segundo o operador de câmbio da Renascença Corretora, José Carlos Amado, a queda nas projeções futuras do dólar, apresentada pelo boletim Focus, é reflexo do cenário externo positivo. ?A queda da inflação nos Estados Unidos e os juros estáveis, aliados ao cenário interno de queda dos juros, fizeram com que o mercado apostasse na valorização do real.? Para Amado, existe uma aposta dos investidores estrangeiros no Brasil em decorrência dos juros ainda elevados. ?A demanda pela compra de dólares está concentrada no Banco Central. Somente com o crescimento do PIB, o aumento das importações e uma atuação mais forte do Banco Central seria possível conter a desvalorização do dólar.? Amado ressalta ainda que as expectativas dos analistas consultados pelo boletim Focus, em relação à cotação do dólar para o final de fevereiro, estão ?otimistas?. ?A tendência é de uma baixa ainda maior?, salientou. Para ele, apenas uma declaração política que seja ?mal interpretada? pelo mercado é que poderia inverter a expectativa de queda da moeda norte-americana. Para o operador de câmbio da Pioneer Corretora Mauro Cardoso, a tendência registrada pela Focus é reflexo da ata da última reunião do banco central norte-americano, que sinaliza um controle maior da inflação no País. ?Essa revisão do dólar pelo mercado foi razoável e acertada?, afirmou, acrescentando que a tendência é de que o dólar se mantenha em queda. Segundo ele, a valorização do real é decorrente dos investimentos que o Brasil vem recebendo. ?Mesmo com as compras que o Banco Central vem realizando, o ingresso de dólares é superior ao que ele está comprando?, afirmou. Cardoso disse que o ?repique? que o dólar apresentou após cair abaixo de R$ 2,10 ocorreu devido ?às reclamações dos empresários?. Porém, na sua avaliação, ?o dólar não vai se sustentar acima de R$ 2,10?. Um pouco mais ponderado mostrou-se o economista da Corretora López León, Flávio Serrano. Ele descarta, num primeiro momento, a possibilidade de a cotação para o final do ano voltar a subir para um patamar superior a R$ 2,20, mas acredita que a moeda continue a ser comercializada entre R$ 2,15 e R$ 2,20 nos próximos meses, nível bem próximo da taxa de R$ 2,17 prevista pela corretora para o fim de 2007. ?Mas, se o câmbio se mantiver em R$ 2,10 por mais uns três meses, terei que fazer alteração em minha projeção?, afirmou. Serrano preferiu não fazer ajustes agora para o final do ano com base apenas no cenário atual mais positivo. ?O mercado mudou um pouco de patamar, mas a premissa básica não mudou?, disse, referindo-se à pesquisa Focus divulgada hoje. Ele comentou também que as cotações estão muito resistentes e que o Banco Central ainda vem atuando neste mercado. ?O dólar poderia até chegar a R$ 2,00, mas é difícil imaginar essa possibilidade no curto prazo?, disse. Para o economista da López León, a queda das previsões vista hoje tem origem no fluxo de recursos, que está extraordinariamente forte, inclusive com a parte financeira positiva, o que não é algo tradicional para o País. ?Além disso, o saldo comercial está muito robusto para o período?, comparou.

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