Protestos no Egito pesam e Bolsa de NY fecha em baixa

A preocupação com a intensificação dos protestos contra o governo no Egito pesou sobre as Bolsas dos EUA nesta sexta-feira, gerando um movimento de aversão ao risco que levou os índices do mercado de ações norte-americano a fecharem em queda. O Dow Jones caiu 166,13 pontos, ou 1,39%, para 11.823,70 pontos. O Nasdaq recuou 68,39 pontos, ou 2,48%, para 2.686,89 pontos. O S&P-500 perdeu 23,20 pontos, ou 1,79%, encerrando a 1.276,34 pontos.

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

28 de janeiro de 2011 | 20h08

Na semana, os índices também acumularam queda, mas só por causa do declínio acentuado observado na sessão de hoje. O S&P-500 foi o mais prejudicado, caindo 0,55% na semana, seguido pelo Dow Jones (-0,41%) e pelo Nasdaq (-0,10%).

Entre as ações de destaque da sessão, as da Microsoft caíram 3,71% depois de a companhia ter anunciado uma leve queda no lucro do segundo trimestre fiscal na comparação com igual período do ano anterior. A receita da companhia cresceu 5% na mesma base de comparação.

A Ford Motor anunciou uma contração inesperada no lucro do quarto trimestre e suas ações recuaram 13,41%. A Amazon.com caiu 7,22% após divulgar um aumento de 36% nas vendas do quarto trimestre, mas os números ficaram abaixo das expectativas de analistas.

A Chevron perdeu 1,46% depois de divulgar que seu lucro no quarto trimestre cresceu 72%. A receita do período ficou abaixo das previsões.

Nos EUA, o Departamento do Comércio informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu à taxa de 3,2% no quarto trimestre do ano passado, em estimativa preliminar.

No Egito, o governo enfrentou hoje o quarto dia consecutivo de protestos. O presidente do país, Hosni Mubarak, que está no poder desde 1981, decretou toque de recolher no Cairo e em outras duas grandes cidades egípcias, Suez e Alexandria. Ele também enviou tanques do exército para conter as manifestações. A situação fez com que o índice VIX, que mede a volatilidade do mercado e é conhecido como o "índice do medo", atingisse o maior nível em quase dois meses ao longo do dia, de 19,86 pontos.

Boa parte dos receios estava voltada para o fornecimento de petróleo. Os preços da commodity subiram 4,32% hoje e superaram US$ 89 por barril. "Essa é a preocupação mais imediata, sobre como o que está acontecendo no Egito pode afetar os preços do petróleo se o Canal de Suez for fechado", disse Ed Cowart, gerente de estratégias para ações da Eagle Asset Management. Segundo ele, se o canal for fechado, o tempo de viagem de um navio que sai do Oriente Médio e vai em direção aos países ocidentais aumentará muito.

As ações de empresas ligadas ao transporte marítimo fecharam em alta, com boa parte dos investidores apostando na perspectiva de interrupção nas atividades do Canal de Suez. A Frontline subiu 7,70%, a Overseas Shipholding avançou 6,01% e a General Maritime ganhou 10,27%. Os papéis da Apache caíram 1,28% após analistas da Tudor Pickering Holt afirmarem que a companhia de exploração de petróleo e gás obtém 25% de sua produção e fluxo de caixa de negócios no Egito. As informações são da Dow Jones.

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