Alex Silva/Estadão
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Qualicorp perde clientes de plano de saúde, e empresa tem tombo de R$ 1 bilhão na Bolsa

Ação da empresa teve queda de 15,57% nesta quarta-feira, após aumento de 71% nos cancelamentos

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 18h32

A operadora de planos de saúde Qualicorp surpreendeu negativamente o mercado nesta quarta-feira, 11, ao apresentar um aumento anual de 71,1% na sua taxa de cancelamentos no segundo trimestre. Ao todo, segundo a empresa, 138,3 mil beneficiários deixaram os planos de saúde nos meses de abril, maio e junho. O número repercutiu entre investidores e levou a companhia a perder R$ 1,073 bilhão no valor de mercado (para R$ 5,8 bilhões) na Bolsa, após a ação fechar em queda de 15,57%, negociada a R$ 20,50.

Mesmo com recorde de vendas, com 132,1 mil novos beneficiários, a companhia encerrou o trimestre com uma perda de 6,2 mil clientes. No total, a empresa tinha 2,582 milhões de beneficiários registrados em junho, 11,3% mais do que no mesmo mês do ano passado, em meio à crise provocada pela pandemia. 

Durante a teleconferência de resultados, o presidente da Qualicorp, Bruno Blatt, disse que a empresa tem um "time campeão" e que busca superar desafios para atingir metas de sucesso. "Ainda que os resultados pareçam abaixo das expectativas, fazem parte do ciclo de preparação. Matemática fria não explica o que estamos fazendo na companhia", disse.

No entanto, os analistas que participaram da teleconferência questionaram o clima de vitória da companhia e perguntaram reiteradamente sobre o motivo do cancelamento tão alto e da pressão nas margens do negócio, já que a empresa teve queda anual de 28,4% no lucro líquido (R$ 90,3 milhões) e aumento de 55,7% na dívida líquida (R$ 926 milhões).

O vice-presidente Comercial, Inovação e Novos Negócios na Qualicorp, Elton Carluci,  afirmou que a empresa sentiu o aumento da inadimplência nos negócios. "O cancelamento por inadimplência piorou no segundo trimestre, saindo do que estava no radar. Por outro lado, o cancelamento por solicitação foi menor do que imaginávamos", respondeu.

Segundo o executivo, houve forte reajuste de preços nos planos, tanto retroativo do ano passado quanto deste ano, o que impactou o indicador. 

"O reajuste de planos em julho está na casa dos 11%. Junto com reajustes anteriores de 23%, há famílias com 34% de reajuste no horizonte de sete meses", acrescentou Carluci. "O que desbalanceou o que esperávamos foi o adicional de inadimplência e pessoas migrando para o SUS e planos com tíquetes (valor médio) menores.”

Os executivos da Qualicorp afirmaram que irão focar na retenção de beneficiários, assim como o esforço agressivo feito para aumentar as vendas nos últimos meses.

Reação do mercado

Do outro lado da mesa, analistas colocaram o pé atrás com a empresa após o choque com os cancelamentos, já que o recorde de vendas foi totalmente neutralizado pelos cancelamentos. Segundo um analista que cobre o setor de saúde e falou sob condição de anonimato, o clima geral é de dúvida quanto à capacidade da companhia de aumentar o volume de planos por adesão de maneira consistente. A operadora sofreu mais que as concorrentes verticalizadas, já que os planos de adesão são mais caros que os corporativos e alguns individuais.

Para Mauricio Cepeda e William Barranjard, do Credit Suisse, a empresa tem corretamente perseguido melhores adições brutas, incorrendo nas despesas comerciais necessárias, mas o alto cancelamento é a principal limitação, que está impactando tanto o crescimento quanto a lucratividade.

"Acreditamos que as despesas administrativas voltem aos patamares anteriores, mas as comerciais já atingiram o novo normal. O equilíbrio econômico para a empresa depende da solução para o churn (cancelamentos), retornando ao típico histórico de alta geração de caixa", apontam.

Ainda assim, há quem veja o lado positivo nos dados do trimestre. Bancos como o Santander e o Bank of America (BofA) mantiveram a recomendação de compra da ação, já que a pressão sobre as margens está em linha com o plano da Qualicorp de focar em iniciativas de crescimento no curto prazo, enquanto a rentabilidade pode ser impactada principalmente por maiores despesas com vendas.

"A empresa teve seu melhor trimestre em termos de adições brutas orgânicas na carteira de afinidades de saúde, com um total de 132,1 mil planos. Isso significa que a empresa vendeu uma média de 44 mil planos por mês, apenas 1 mil abaixo do guidance de 45 mil divulgado pela empresa para 2021", aponta Rafael Bastos, analista do Santander. / COLABOROU ELISA CALMON

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