Quando é hora de faxinar a carteira?

Os proprietários sabem que ter uma carteira de imóveis nem sempre significa viver uma situação tranqüila. Além da preocupação com os encargos de casas, apartamentos ou terrenos, é preciso saber se cada um deles está sendo um bom negócio. Especialistas afirmam que o rápido e nem sempre ordenado desenvolvimento das cidades derrubam o velho preceito de que um imóvel nunca deve ser vendido. O motivo é a sempre presente ameaça da desvalorização. O presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, afirma que o proprietário de imóveis em uma grande cidade, como São Paulo, precisa estar atento às tendências de crescimento. Conhecer os projetos futuros também é fundamental. "O ideal é que o proprietário se antecipe a tendências e projetos que possam desvalorizar um imóvel. Se ele esperar demais para tomar a decisão, poderá ter de receber um terço do valor do bem" disse o consultor. Pompéia usa o clássico exemplo do elevado Costa e Silva, o popular "Minhocão", para ilustrar o que chama de "desastre" para proprietários de imóveis. Suspenso sobre a avenida paulistana Amaral Gurgel, o elevado levou poluição atmosférica, visual e sonora aos prédios vizinhos. O consultor afirma que, em muitos casos, é vantagem vender um imóvel grande para adquirir um menor, se este estiver em um bairro em expansão. O que importa é a tendência da região e dos valores dos imóveis do local. A desapropriação total ou parcial de um imóvel é um dos principais fatores que levam os proprietários a perder dinheiro, pois os valores pagos pelas prefeituras nem sempre correspondem aos preços de mercado. A construção de escolas é outro motivo de perda de valor dos imóveis. "As escolas trazem barulho e maior fluxo de pessoas à região, o que sempre leva à desvalorização do imóvel", diz Pompéia. Ter um cemitério como vizinho não é o sonho de ninguém. Portanto, a construção de um local como este pode impactar nos valores das casas do entorno. Mas nem sempre isso acontece. Os cemitérios do tipo jardim preservam o horizonte dos imóveis vizinhos, o que pode ser uma vantagem. Saber com antecedência que uma delegacia ou presídio será construído nas proximidades do imóvel é outro fator de desvalorização. "É difícil para o leigo prever todas as situações e, por isso, é importante consultar um profissional. Mas o proprietário precisa estar atualizado sobre o que está acontecendo à volta de seus imóveis", disse Pompéia. Boas oportunidades de compra também podem acontecer em locais onde há desvalorização temporária. É o caso de ruas comerciais prejudicadas por ampliação de avenidas ou construção de estações do metrô. "Às vezes o comerciante não tem como suportar a queda do movimento e é obrigado a vender um imóvel que vai se valorizar quando a obra acabar. É uma boa oportunidade de compra", diz o consultor.

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