Queda da Selic torna poupança atraente

A quase quarentona caderneta de poupança, criada em outubro de 1968, deve voltar a ser um bom negócio com a tendência de queda da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 16,5% ao ano. Quanto menor a Selic, menor o rendimento dos títulos de renda fixa e dos fundos de investimento. Em contrapartida, o rendimento da poupança deve se manter na faixa de 8% ao ano, mesmo que a taxa básica de juros caia para 10% ao ano. "Com a queda da Selic, o rendimento da poupança não terá recuo significativo e caderneta ficará mais competitiva", afirma o matemático José Dutra Vieira Sobrinho. Nos últimos anos, a poupança tem perdido feio para os fundos de investimentos que têm rendido 50% mais do que a caderneta. Para chegar a essa conclusão, Dutra fez uma simulação do rendimento da poupança com base na resolução 2809 do Banco Central (BC), que definiu os parâmetros para o cálculo da Taxa Referencial (TR) em de 21 de dezembro de 2000. A TR é a taxa que baliza o rendimento da caderneta de poupança, acrescido de juros de 0,5% ao mês ou o equivalente ao ano de 6,17%. Segundo o matemático, o Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio dessa resolução arbitrou o rendimento da poupança levando em conta o tamanho da taxa Selic. O CMN usou uma fórmula matemática que estabelece que para uma Selic maior que 16% ao ano, a TR corresponde a 52% da taxa média de juros do mercado. À medida que a taxa básica de juros vai caindo, essa proporção aumenta e o rendimento da poupança praticamente se mantém. Dutra observa que considerou a hipótese de que a taxa Selic equivale ao rendimento médio mensal das aplicações em Certificado de Depósito Bancário (CDB), representado pela Taxa Básica Financeira (TBF). Com isso, quando a Selic cair para 10% ao ano, o rendimento da poupança será de 80% da taxa média de juros de mercado (TBF), nos cálculos do matemático. Caso a taxa Selic recue até dezembro deste ano para 14,5%, como prevê a maioria dos analistas do mercado financeiro segundo o Relatório Focus do BC, o rendimento da poupança será de 64% dos juros médios de mercado e deverá ficar em 8,44% em 2006, na média. Caso ao final de 2007 a Selic caia para 12% ao ano, a simulação mostra que o rendimento médio deverá ficar em torno de 8,42%. E se e m 2008 os juros básicos recuarem para 10%, a média do rendimento da poupança poderá ser de 8,03%. O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito, Investimento e Poupança (Abecip), Décio Tenerello, confirma a análise de Dutra e diz que a poupança deve ficar mais atraente com a queda da Selic. "A poupança sobrevive a todas as situações." Entre os fatores que fazem a caderneta resistir a todos os golpes, até mesmo ao confisco do Plano Collor em 1990, Tenerello aponta o fato de ser uma aplicação com regras simples, que permite ao poupador movimentá-la como se fosse uma conta corrente. Além disso, o Fundo Garantidor de Crédito assegura aplicações de até R$ 20 mil. A poupança também é isenta de Imposto de Renda.

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