Queda de avião na Ucrânia e tensão em Gaza abalam as bolsas

Ações na Rússia são as principais prejudicadas pelo incidente com o Boeing da Malaysia Airlines, mas bolsas na Europa e Ásia também foram impactadas

Agência Estado - Texto atualizado às 15h45

18 de julho de 2014 | 08h09

SÃO PAULO - A escalada de tensões geopolíticas em torno das crises na Ucrânia e em Israel mantém a aversão ao riscos na Europa nesta sexta-feira. Contudo, há esperanças entre os investidores de que os problemas em ambos os locais não devem contagiar a economia mais ampla. 

Diante deste sentimento de cautela, as bolsas europeias fecharam em direções divergentes nesta sexta-feira, 18, com investidores buscando ajustar posições diante das tensões desencadeadas ontem pela queda do avião da Malaysia Airlines e pela ofensiva terrestre de Israel à Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que reagiam ao noticiário corporativo.

O índice Stoxx Europe 600, que reúne as 600 principais empresas europeias, fechou com leve queda, de 0,02%, aos 339,66 pontos. As ações da Allianz, principal resseguradora da Malaysia Airlines, caíram hoje 0,19%. A maior perda, entretanto, foi registrada pela Heidelberg Cement, que terminou com desvalorização de 2,42%, após o Morgan Stanley reduzir suas perspectivas para a empresa.

O mercado russo também operou sob forte pressão. As tensões geopolíticas se somaram às incertezas derivadas da nova onda de sanções dos Estados Unidos à Rússia, anunciadas na quarta-feira. Em Moscou, o índice Micex caiu 1,26%, para 1.422,53 pontos, o menor nível desde 28 de maio.

Na quinta-feira, 17, um Boeing 777 da Malaysia Airlines que viajava de Amsterdã para Kuala Lumpur caiu na região em conflito de Donetsk, no leste da Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo. O incidente desencadeou um debate acalorado sobre as causas e principalmente sobre os possíveis responsáveis por trás do incidente, diante de fortes indícios relatados por autoridades internacionais de que o voo MH17 foi abatido por mísseis.  

Outra fonte de tensão vem do Oriente Médio. Israel deu início a uma invasão por terra à Faixa de Gaza, ampliando as disputas entre israelenses e palestinos que já deixaram centenas de mortos nos últimos dias. Embora os relatos sobre o número de mortos sejam confusos e imprecisos, os militares israelenses disseram ter matado 14 militantes desde o começo da operação, enquanto somente um soldado do país perdeu a vida. 

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"Todos foram compelidos a pensar sobre os riscos geopolíticos após terem esquecido sobre eles por um tempo", estrategista-chefe para o Japão na Nomura Securities, Hiromichi Tamura
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Apesar das pressões negativas, o FTSE-100 da bolsa de Londres, encontrou força para fechar em leve elevação, de 0,17%, aos 6.749,45 pontos. A valorização semanal foi de 0,89%. Já o índice DAX, da bolsa de Frankfurt, fechou aos 9.720,02 pontos, em queda de 0,35%. Na semana, o índice acumulou alta de 0,56%.

Ásia. A Bolsa de Tóquio fechou em queda também pressionada pelos riscos geopolíticos. O índice Nikkei recuou 1,01%, aos 15.215,71 pontos, embora tenha avançado 0,3% na semana. Os dois eventos influenciaram os investidores a buscarem ativos mais seguros e se desfazerem de ações. "Todos foram compelidos a pensar sobre os riscos geopolíticos após terem esquecido sobre eles por um tempo", afirmou o estrategista-chefe para o Japão na Nomura Securities, Hiromichi Tamura.

Ações de grandes empresas exportadoras caíram com o retrocesso do apetite por risco. As da Fanuc desvalorizaram 0,8% e as da Kyocera perderam 1,3%. Mesmo assim, observadores do mercado analisaram que há pouco impacto direto sobre as empresas do Japão por causa da escalada nas tensões nas duas regiões. 

Desse modo, Tamura não espera que a situação apresente algum choque ao sistema financeiro ou um salto nos preços do petróleo de modo a afetar a economia global. 

Hideyuki Ishiguro, estrategista sênior de investimentos na Okasan Securities, explicou que as ações japonesas estavam vulneráveis a choques externos porque os investidores têm acumulado posições. Para ele, é improvável que haja novas quedas, uma vez que os investidores de varejo do Japão estão ansiosos para comprar ações domésticas na baixa. 

A crise na Faixa de Gaza impulsionou o petróleo, porque o Oriente Médio é a maior região produtora da commodity. Na Coreia do Sul, o índice Kospi fechou em queda de 0,07%, a 2.019,42 pontos, na mínima. Em Hong Kong, o Hang Seng cedeu 0,28%, para 23.454,79 pontos.

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