Queda do dólar reforça polêmica da restrição às vendas para Argentina

A restrição aplicada pelo governo argentino à entrada de geladeiras e fogões fabricados pelo Brasil ao seu mercado se deve, em parte, pelo alto custo dos produtos em decorrência da valorização do real. "O desejo da indústria da Argentina é que o Brasil ponha limites às exportações, já que produtos importados de outros países estão querendo entrar com preços menores", afirmou hoje o presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo, Alberto Alzueta.?A restrição imposta pela Argentina não surpreende, já que eles (argentinos) querem resguardar seus mercados e promover novas negociações?, disse, em relação aos altos custos que os produtos brasileiros exportados atingiram na Argentina com o dólar em baixa.A intenção do governo argentino com a edição do mecanismo de licença não-automática, decreto publicado em 28 de dezembro passado, é o de burocratizar a entrada dos produtos no País e forçar uma nova negociação com o setor privado brasileiro. A licença não-automática de importação atrasa os prazos de entrada dos produtos no mercado argentino. Desde a entrada em vigor da medida, as empresas brasileiras conseguiram exportar apenas 6,6 mil geladeiras para a Argentina em janeiro. No mesmo período do ano passado, foram vendidas 27,8 mil unidades.A medida faz parte da pressão dos industriais argentinos que querem prorrogar um acordo de restrição às importações brasileiras, que vigorou em 2004 e em 2005. Na avaliação de Alzueta, a Argentina vai acabar prorrogando a restrição à compra desses produtos brasileiros e "possivelmente aumentar"."Alguns setores da Argentina querem postergar o acordo de restrição para as empresas saírem da crise e voltar a ter competitividade", alega. No entanto, segundo ele, os industriais brasileiros argumentam que a Argentina já teve tempo suficiente para se recuperar, através de um dólar em alta e de altas taxa de crescimento interno. "A Argentina teve tempo de recuperar sua competitividade", reconhece.Em relação a manutenção das restrições, ele diz que essa medida não é boa para o Mercosul. "Esse tipo de medida sempre deixa alguém desacordado, deixando brechas para futuras negociações." Para ele, o que falta é uma integração maior das indústrias dos dois países. "Se os industriais brasileiros fizessem oferta para produzir componentes em conjunto com os argentinos, aí se estabeleceria uma relação consistente e duradoura. Seria inteligente se buscar esse tipo de parceria, para se ter um bloco consistente e monolítico, que pudesse conter a invasão de produtos asiáticos."

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