Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Dólar dispara após anulação do impeachment, mas fecha com alta de 0,6%

Pico da moeda norte-americana aconteceu por volta do meio-dia, com anúncio do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão; Bovespa terminou dia com queda de 1,4%

Paula Dias e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 11h20
Atualizado 09 de maio de 2016 | 18h23

A decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular o processo de impeachment na Casa gerou forte volatilidade no mercado financeiro nesta segunda-feira. O dólar chegou a disparar 4,82% e a Bovespa chegou a cair 3,50%, refletindo o sobressalto dos investidores diante da possibilidade de o processo de impeachment sofrer um revés. A percepção de que a medida terá poucas chances de se sustentar, porém, acabou por acalmar os ânimos ao longo do dia. Ainda assim, a Bovespa fechou em queda de 1,41%, aos 50.990,06 pontos. O dólar terminou o dia em alta de 0,61%, cotado a R$ 3,5249.

A decisão de Maranhão veio em resposta a um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) para anular a sessão que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. A notícia inesperada fez disparar ordens de venda em toda a Bolsa, mas principalmente nas ações da Petrobrás e Vale, que estão entre as mais sensíveis ao noticiário político. No mercado de câmbio, as ordens de compra levaram o dólar às máximas, em poucos minutos.

Aos poucos, passado o estresse inicial, as cotações foram se acomodando. Isso porque juristas e consultorias ouvidos pelo Broadcast indicaram que a decisão de Maranhão poderia ser revertida, seja no Supremo Tribunal Federal, seja no próprio Senado. Uma das avaliações era de que, como o processo já está no Senado, não haveria espaço para anulação ou retrocesso da questão na Câmara. Notícias de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) ignoraria a decisão e manteria o processo no Senado - que mais tarde se confirmaram - reforçaram essa percepção durante a tarde.

Antes da notícia da anulação, a Bovespa já vinha em trajetória de queda - em torno de 1% - determinada essencialmente pelo mau humor no cenário internacional. O dólar também já operava em alta, num reflexo da aversão ao risco dos investidores externos. As exportações da China caíram 1,8% em abril, na comparação com igual mês de 2015, contra previsão de estabilidade. As importações recuaram 10,9%, ante expectativa de -4,0%. Já as importações de petróleo cresceram 7,6% - único dado positivo, por indicar aquecimento econômico.

Em reação aos números fracos da economia chinesa, o minério de ferro fechou em queda de 3,6% (a US$ 55,6 a tonelada seca), com reflexos diretos sobre as ações de mineração, siderurgia e metalurgia. Os preços do petróleo também passaram a cair, com notícias mais otimistas em relação ao controle do incêndio que afeta a produção do Canadá. Ao final do pregão, Vale ON teve queda de 9,77% (a R$ 15,23), enquanto Vale PNA recuou 8,65% (a R$ 12,35). Com queda de 10,05%, CSN ON foi a maior queda do Ibovespa. Os papéis da Petrobrás terminaram o dia em queda de 6,65% (ON) e 5,95% (PN). 

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