Queda nos juros favorece fundo multimercado

Principal destaque em captação no ano, os fundos multimercados estão bem próximos de ultrapassar os referenciados DI e se tornarem a categoria com o segundo maior patrimônio líquido da indústria, atrás apenas dos portfólios de renda fixa, de acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). No último dia 28, os recursos dos multimercados somavam R$ 166 bilhões, ou 19,24% do total, enquanto as aplicações nos DIs eram de R$ 172 bilhões (19,91% do total). A distância vem encolhendo rapidamente desde o início do ano, quando as participações das categorias em relação à indústria eram de 17,7% e 20,8%, respectivamente. Na liderança, a modalidade renda fixa possui 39,4% do patrimônio líquido dos fundos. Na análise de especialistas consultados pela Agência Estado, a consolidação dos multimercados representa um novo momento para o setor. Além de fatores econômicos como a queda dos juros, que estimula a procura dos investidores por produtos alternativos em busca da manutenção da rentabilidade, eles creditam a crescente demanda como fruto do próprio amadurecimento do mercado. Para o superintendente de Renda Fixa da ABN Amro Asset Management, Eduardo Castro, a evolução dos portfólios que buscam retorno atuando em vários mercados deve se manter, corrigindo, desta forma, o que ele considera uma distorção do mercado brasileiro. ?Os juros mais altos faziam com que a relação entre risco e retorno de um fundo DI fosse muito atrativa.? Desde o início do ano, porém, o banco vem percebendo uma tendência de diversificação por parte dos investidores tradicionais, em busca de melhor rendimento para as aplicações. ?Estamos vivendo uma mudança de paradigma?, observa. Castro reitera, por outro lado, que não houve uma simples migração de recursos dos DIs. Ambas as categorias apresentam captações líquidas no acumulado do ano, conforme os números da Anbid. Enquanto os multimercados registraram entrada de R$ 22,6 bilhões até o último dia 28 de setembro, os referenciados possuíam saldo positivo de R$ 4,9 bilhões no mesmo período. ?O investidor que tradicionalmente mantinha 100% dos recursos em um DI hoje começa a alocar parte desse valor em produtos de maior risco?, afirma. Com patrimônio de R$ 1,5 bilhão em multimercados, a Fator Administração de Recursos também enxerga um potencial de crescimento da modalidade, que já é grande e deve se intensificar nos próximos dois anos, segundo a diretora de Gestão, Roseli Machado. A estratégia dos produtos da instituição tem sido combinar a flexibilidade para atuar em vários mercados com a experiência da casa em renda variável, explica. Para Roseli, os fundos DI deverão ser uma opção para os investidores que pretendam ou necessitem obter uma rentabilidade equivalente à do CDI sem correr maiores riscos. ?Mas, com a queda dos juros, a taxa em si não será mais um elemento de atratividade?, pondera. Maxim Wengert, sócio da consultoria Quantum, concorda com a avaliação. ?Para o investidor avesso a risco, o DI continua sendo a melhor alternativa, apesar da queda dos juros?, diz. De acordo com ele, as opções de gestão estão cada vez mais sofisticadas, assim como a legislação do setor. Tais fatores, além da evolução das informações e ferramentas de análise disponíveis, proporcionam maior visibilidade aos fundos diferenciados, opina o especialista. ?Não se trata de movimento passageiro. O crescimento dos multimercados é estrutural?, destaca Rodrigo Xavier, sócio do Pactual responsável pela área de gestão de recursos. Maior no segmento, com patrimônio de R$ 20,3 bilhões, segundo o último ranking de gestores da Anbid, a instituição possui também alguns dos produtos mais antigos dentro da categoria, como o High Yield e o Hedge, ambos com dez anos de vida. Nesse período, segundo Xavier, as carteiras passaram a ser melhor entendidas pelo investidor. Para ele, o conceito de que os multimercados possuem natureza de maior risco não é necessariamente verdadeiro, e contribuiu para boa parte do receio dos aplicadores quanto a esse tipo de fundo. ?Pelo contrário, a flexibilidade de poder atuar em vários mercados pode ser usada como um instrumento de defesa para preservar o patrimônio dos clientes?, avalia. Ele recorda que, durante a crise de marcação a mercado, em 2002, esses portfólios não precisaram ficar tão expostos em LFTs (títulos públicos atrelados à Selic) de longo prazo, como ocorreu com boa parte dos referenciados. O diretor executivo da Santander Banespa Asset Management, Edvaldo Morata, vai mais longe e assegura que os multimercados se tornarão o principal produto da indústria de fundos brasileira. No entanto, ele não arrisca um prazo para que isso ocorra, e acredita que o segmento ainda pode sofrer idas e vindas, caso haja, por exemplo, um estresse no mercado por um período mais longo.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2006 | 07h00

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