Queda nos juros traz boa perspectiva ao mercado de imóveis

O mercado de imóveis no Brasil está em transformação e tem boa perspectiva, comparando-o com dados estrangeiros e levando em conta a expectativa de queda dos juros no Brasil. A opinião é dos participantes do seminário "Setor Imobiliário Brasileiro", promovido pelos fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Companhia Vale do Rio Doce (Valia). O diretor financeiro da Cyrela, Luiz Largman, por exemplo, argumenta que nos Estados Unidos as hipotecas e financiamentos imobiliários representam 70% do PIB, enquanto aqui são apenas 2% do PIB, depois de já terem alcançado 12% em 1995. "Tem espaço para crescer. O cliente tem que ter juro razoável e prazo para pagar. E a tendência da macroeconomia é essa, só melhorar", disse à Agência Estado. De acordo com ele, em três ou quatro anos o Brasil deve atingir o "grau de investimento" e, baseado no que aconteceu em outros países que atingiram essa classificação, como o México, "os investidores estrangeiros estão com uma visão muito mais positiva do setor imobiliário do que os fundos de pensão". O diretor da consultoria imobiliária Richard Ellis, Luís Gonzaga Mayor, considera que a demanda por investimentos no setor está muito forte tanto por parte dos investidores estrangeiros quanto por parte dos brasileiros. "Mas os estrangeiros estão vendo com muito melhores olhos que os nacionais", afirmou, observando que os imóveis representam apenas 3,6% dos investimentos dos fundos de pensão no Brasil. De acordo com Mayor, o preço do metro quadrado numa cidade como São Paulo está bem mais baixo que em várias grandes cidades do mundo e a taxa de rentabilidade também é mais alta, estando na faixa de 12% a 13%. Segundo ele, desde 2005, foram investidos US$ 1,149 bilhão em aquisições diretas de empresas brasileiras do setor (ou participações) e mais US$ 1,237 bilhão em abertura de capital de companhias nesse setor, entre as quais a Cyrela. Para a pesquisadora do grupo de estudo de Economia da Construção da Fundação Getúlio Vargas Maria Antonieta Lins, "a abertura de capital de cinco grandes construtoras desde 2005 e a perspectiva de que outras estejam abrindo também traz um volume assustador, no bom sentido, de recursos para o setor". Ela, porém, deixou perguntas no ar: "Será que isso é uma bolha? Será que as empresas serão capazes de manter os compromissos de seus planos de negócios que assumiram com os acionistas?". A economista avalia que há demanda em faixas de renda média e baixa e que a oferta está mais concentrada na classe alta. "Seria bom ter um casamento entre oferta e demanda", disse. "O crédito está aí", observou. Alberto Martins, do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), disse que "a taxa de juros no Brasil pode despencar". Diante disso, afirmou, "Temos uma enorme possibilidade de ter uma explosão nos financiamentos habitacionais".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.