Ranking: Forte liquidez e boa rentabilidade marcam 2005

O mercado de ações está cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros. Em alta desde 2003, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, tem atraído os mais diversos investidores, interessados em ganhar com papéis de companhias. A participação das pessoas físicas, por exemplo, vem crescendo pelo menos há dez anos, passando de 9,9% do total de negócios, em 1996, para 25,4% no ano passado. O Ranking Agência Estado Empresas, feito em parceira com a Economática, existe há seis anos e, pela segunda vez, será publicado na revista Estadão Investimentos, que estará nas bancas a partir de amanhã. O estudo possui metodologia exclusiva e as dez primeiras colocadas ganham o prêmio Destaque AE Empresas, pelo desempenho apresentado do ponto de vista do acionista. A análise é feita com base em sete quesitos técnicos, que medem tanto a performance financeira da sociedade quanto a de suas ações em Bolsa. Uma das questões avaliadas é a oscilação dos papéis. A valorização da ação é importante para que o patrimônio do investidor aumente. Mas esse fator, sozinho, não é suficiente para que a companhia tenha boa classificação e, por isso, é combinado aos outros seis pontos. O pagamento de dividendos, que são os rendimentos que a empresa distribui a seus acionistas com base nos lucros, também eleva o retorno da aplicação. No ano passado, o Ibovespa subiu 27,71%. Essa alta, no entanto, é mais uma dentro de um ciclo que começou em 2003. Em 2002, o principal índice da Bovespa caiu 17,1%. No ano seguinte, disparou quase 100%. O fôlego continuou com nova valorização, de 17,81%, em 2004. "2005 foi um período de sonhos, já que superou boas performances nos anos anteriores, quando muitos duvidavam", disse o presidente da Economática, Fernando Exel. Segundo ele, o ano contou com uma liquidez abundante de recursos no cenário internacional, combinada a uma demanda forte por commodities, o que se refletiu na economia doméstica e ajudou exportadoras, por exemplo. Apesar dos questionamentos sobre a sustentabilidade do novo patamar de preços no mercado acionário, Exel acredita que o fato de a Bolsa estar subindo há quatro anos seguidos - em 2006, até o início de maio, a valorização estava em 23% - não encareceu as ações brasileiras, nem tirou sua atratividade. "As cotações dos papéis nacionais subiram numa proporção menor que o lucro das companhias", justificou. Por isso, os ativos ainda têm espaço para novos ganhos. Ele ilustra a análise com base em outro indicador do Ranking Agência Estado Empresas, que é a relação entre o preço da ação e o lucro obtido pela companhia (P/L). De acordo com ele, o P/L total das empresas negociadas na Bovespa não se alterou de 2004 para o ano passado, mantendo-se em torno de 10 vezes (ação vale 10 vezes o lucro). "A vaca está mais cara, mas dá mais leite", brincou. A título de exemplo, o executivo contou que o P/L das companhias nos Estados Unidos gira entre 20 vezes e 25 vezes. "Apesar de o mercado brasileiro valer menos por oferecer mais risco que o norte-americano, a nossa relação já deveria ter melhorado." As principais empresas de 2005 vieram de vários segmentos, mas as de comércio com foco no mercado local, mineradoras, elétricas e bancos foram os destaques. No topo do ranking do período, a Lojas Americanas mostrou que seu balanço melhorou e que o mercado está disposto a pagar bem por suas ações, já que seus principais indicadores foram o preço do papel em relação ao valor patrimonial e a variação do retorno sobre o patrimônio (delta ROE). "Juntamente com a alta da ação, o delta ROE é um claro indicador de que a companhia cresceu. Esse quesito privilegia as empresas que surpreendem", diz Exel. A boa classificação da Lojas Americanas não acontece pela primeira vez. A rede varejista já havia vencido o Ranking Agência Estado Empresas, em 2003, tendo ocupado o segundo lugar no ano anterior. A situação ilustra um fato corriqueiro no levantamento, e mostra que há tradicionais campeãs de retorno aos acionistas, independentemente de setores.

Agencia Estado,

01 de junho de 2006 | 10h25

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