Reação de acionistas ameaça compra de usina pela Cosan

Ao tornar pública a oferta pela aquisição da Companhia Açucareira Vale do Rosário, o Grupo Cosan alertou os concorrentes e pode perder o negócio. Um grupo de acionistas minoritários, contrário à venda para o Cosan, quer barrar o negócio e ficar com a Vale do Rosário.Os bancos holandeses Rabobank e ING, contratados para realizar a fusão entre a Santa Elisa e Vale do Rosário no final do ano passado, estão levantando capital junto a fundos de investimento estrangeiros para fechar a operação. Os fundos estariam dispostos a bancar a compra da parte dos majoritários interessados na venda ao Grupo Cosan, segundo um dos acionistas minoritários, Cícero Junqueira Franco.A negociação traria uma reviravolta no negócio e a viabilização da fusão entre a Santa Elisa e a Vale do Rosário. Pelo estatuto da Companhia Açucareira Vale do Rosário, a preferência para a compra da participação de qualquer acionista é dos próprios acionistas, seguida da companhia e, por fim, de uma terceira parte.A estratégia é financiar os minoritários na compra de 50,2% de acionistas que teriam o compromisso com o Grupo Cosan, mas que seriam obrigados a ceder a participação aos minoritários, pois esses exerceriam o direito de preferência. ?Temos até 26 de fevereiro para exercer o direito. Não é complicado, basta cumprir o estatuto?, afirma Franco. ?Em agosto, quando o Cosan fez o primeiro ataque, nós fizemos um acordo com um grupo de acionistas de 53% para abortar o projeto. Desta vez, 4% saíram do nosso grupo e autorizaram a venda. Mas eles só podiam sair depois de um ano e com aprovação de 75% do grupo.?Como o Grupo Cosan já ofertou em torno de US$ 750 milhões por 100% da companhia, o valor pago pela parte majoritária seria ao redor de US$ 375 milhões.Se a compra for efetivada, seria retomado o projeto de abertura de capital da nova companhia. Nasceria ainda a segunda maior empresa sucroalcooleira brasileira, com uma capacidade de processamento de 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, atrás apenas do próprio Grupo Cosan, com 40 milhões de toneladas.A Companhia Santa Elisa tem três unidades (Santa Elisa, Vertente e Continental), todas no Estado de São Paulo, e já anunciou investimentos em parceria com o fundo norte-americano para a construção de três usinas em Minas Gerais (Ituiutaba, Campina Verde e Uberlândia) e uma em Itumbiara (GO).A Santa Elisa é sócia da Vale do Rosário na Usina MB, em Morro Agudo (SP), e na Crystalsev, uma das maiores tradings de açúcar e álcool do Brasil. As duas empresas também estão juntas na construção de uma unidade produtora de açúcar e de álcool na cidade de Edéia (GO), com investimentos de R$ 200 milhões, por meio da joint venture Tropical Bio Energia - que conta com a participação do grupo algodoeiro Maeda.Já a Vale do Rosário tem a usina homônima, em Morro Agudo, parte da Usina Jardest, em Jardinópolis, e o controle majoritário da Usina Frutal, na cidade mineira de Frutal, cujo processamento deve começar este ano com 700 mil a 800 mil toneladas moídas para uma capacidade máxima de 2,5 milhões de toneladas de cana.

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