Reajuste do minério da Vale é bem recebida pelo mercado

O aumento de 19% para o minério de ferro fechado nesta semana pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) com a alemã Thyssen Krupp foi, em princípio, bem recebido pelo mercado, apesar da queda de 3% anunciada para os preços da pelota. Os bancos de investimentos Merril Lynch, UBS, Banif Investment Banking e as corretoras ABN Amro Real e Ágora Senior mantiveram recomendação de compra para os papéis da empresa. Ontem, primeiro dia após o anúncio do reajuste, as ações da Vale iniciaram com alta forte, mas inverteram a trajetória após a abertura das Bolsas americanas, que trouxeram ordens de venda para o papel por parte do investidor estrangeiro. No fechamento, Vale PNA perdia 1,69%, após ter subido 2,6% na máxima. Essas ações da empresa foram as mais negociadas no dia, superando até mesmo o volume de transações da Petrobras PN. Operadores afirmaram que pode se dizer que o porcentual do reajuste veio "dentro do esperado", embora as expectativas variassem muito. Lembram que semana passada o diretor-executivo de Ações Corporativas da Vale, Tito Martins, afirmou que a forte demanda por minério de ferro, principalmente por parte da Ásia, poderia levar a mineradora a pedir um reajuste de preços superior aos 24% já colocados na mesa de negociação. Sob esta ótica, o porcentual não teria sido tão forte. A negociação em torno do preço do minério teve um rumo diferente este ano - o primeiro reajuste foi definido com a Europa e não com a Ásia. Resta saber até que ponto os 19% balizarão as negociações com a China, ainda em andamento. Ontem o mercado já foi inundado de relatórios que comentavam o acerto entre a mineradora brasileira e a companhia alemã. O tom era positivo e as vendas de ontem só podem ser explicadas pelo fato de as ações estarem caindo "com a confirmação do fato". Se os porcentuais de reajuste com Ásia superarem os 19%, o papel poderá emplacar alta acelerada. O comentário da corretora do banco alemão Deutsche Bank destacou que o mercado já estaria trabalhando com o porcentual próximo aos 20% ou superior, por conta das declarações da Vale. Ainda assim, a casa manteve recomendação de "manter" para o papel. O relatório da corretora do banco norte-americano Merril Lynch reiterou sua sugestão de compra para as ações da Vale, com preço-alvo de US$ 66 para as ADRs (os recibos de ações negociados em Nova York) da empresa. A analista Andréa Weinberg destacou que o reajuste de 19% ficou acima da projeção do banco, que era de 18%, e que a redução de 3% nos preços da pelota ficou abaixo da previsão (a estimativa era de aumento entre 8% e 12%). "Apesar do reajuste menor para as pelotas, esperamos o lucro por ação da Vale maior em 2006", afirma. A expectativa do banco é de que as vendas de pelotas representem 15% do volume total a ser vendido pela mineradora em 2006, enquanto as vendas de minério devem responder por 55%. Segundo a analista, a redução do preço da pelota deve contribuir para uma redução de 3% na projeção de Ebitda (geração operacional de caixa, ou ganhos antes do pagamento de impostos, taxas, depreciação e amortização, na sigla em inglês) para o ano para US$ 7,15 bilhões. "De qualquer forma, não estamos fazendo mudanças nas projeções, já que a empresa poderá ter cortes significativos de custos ao longo de 2006", informa. A expectativa do banco é de que os preços do minério de ferro se mantenham estáveis em 2007 e tenham redução em torno de 20% em 2008. Em relatório, analistas da corretora do banco suíço UBS destacam que o aumento de 19% surpreendeu positivamente, já que ficou no limite superior da expectativa do mercado, que variava entre 10% e 20%, e acima da expectativa de 15% do banco. A análise mantém recomendação de compra e ressalta que acredita que a Vale deve continua se beneficiando da forte demanda mundial por minério de ferro no próximo ano. Profissionais destacam ainda que o reajuste acordado com a Thyssen Krupp deve servir de referência para as negociações em andamento com outras siderúrgicas. "Historicamente o primeiro reajuste acordado serve de referência para as outras negociações", explica a analista do Ágora Senior, Cristiane Viana. A analista afirma que o aumento ficou em linha com a sua estimativa (de 19,4%) e é bastante positivo para a empresa. "Preços maiores e demanda em crescimento devem contribuir para o aumento do faturamento da Vale em 2006", afirma. A corretora, que trabalha com uma previsão de receita líquida de R$ 41 bilhões, Ebitda de R$ 21 bilhões e lucro líquido de R$ 12 bilhões para a mineradora em 2006, mantém a recomendação de compra para as ações da Vale. O reajuste também ficou em linha com as projeções dos analistas do Banif Investment Banking. A surpresa ficou por conta da queda de 3% nos preços da pelota, que não era vislumbrada. A redução, no entanto, não é considerada negativa, já que deverá trazer uma redução de apenas R$ 100 milhões na receita da mineradora. O banco está revendo suas projeções para a empresa, mas mantém a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 125 para as ações ordinárias e de R$ 115 para as preferenciais. O analista da ABN Amro Real Corretora Pedro Galdi classificou o reajuste como positivo para a mineradora e adiantou que a redução nos preços da pelota era esperada. "A Vale havia sinalizado que poderia haver uma redução da demanda de pelotas quando paralisou suas plantas", explica. Segundo o analista, o cenário favorável deve continuar nos próximos anos, por conta da recuperação do mercado siderúrgico que já anuncia preços para o terceiro trimestre nos mesmos patamares do início de 2005, quando as cotações atingiram o pico. (Resumo de reportagens publicadas no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análise de empresas, setores e ações da Agência Estado)

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