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Real é a moeda com 2ª maior valorização global no 1º trimestre

Possibilidade de impeachment da presidente Dilma e alta das commodities ajudaram a moeda brasileira

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2016 | 12h01

LONDRES - O real foi a segunda moeda que mais se valorizou no mundo na comparação com o dólar durante o primeiro trimestre. Em três meses, o dólar ficou quase 10% mais barato no Brasil. O noticiário político com maior possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff explica parte do fortalecimento do real. O sinal de que a política monetária seguirá relaxada por mais algum tempo nos Estados Unidos e a alta das commodities também ajudaram o real. Esse fenômeno, porém, não é exclusividade dos brasileiros e alcançou outras divisas ligadas às matérias-primas da Indonésia à Noruega.

Nos primeiros três meses do ano, o preço do dólar em reais caiu 9,34%. Assim, a taxa de câmbio recuou de R$ 3,96 no fim do ano passado para os R$ 3,59 do fechamento de quinta-feira, 31 de março.

O pano de fundo local desse fortalecimento do real é a política. Com a chegada da operação Lava Jato ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o enfraquecimento do governo Dilma Rousseff, investidores avaliam que cresceu a chance de impeachment. Para o mercado, a saída de Dilma pode abrir caminho para um governo mais inclinado às reformas e com capital político para aprovar medidas necessárias para arrumar a economia. Esse é o cenário previsto pelos investidores e, por isso, muitos voltaram a comprar reais.

Fed e commodites. O fortalecimento da moeda brasileira, porém, não pode ser considerado um fenômeno isolado. Os analistas do Morgan Stanley dizem que o grande fator que tem influenciado o mercado global de moedas é a política monetária dos Estados Unidos. Após o início do aperto monetário em dezembro de 2015 nos EUA, a economia global começou a falhar, as incertezas cresceram e o Federal Reserve deixou claro que o movimento de alta será mais lento e gradual.

"O aperto monetário será menos intenso. Isso enfraquece o dólar e manterá a pressão vendedora por algum tempo", dizem os analistas do Morgan Stanley. O enfraquecimento do dólar acontece porque o juro que o investidor consegue nos EUA será, pelo menos por enquanto, menor que o imaginado previamente.

Nesse cenário, o real brasileiro teve a segunda maior valorização entre as 47 divisas acompanhadas pelo serviço de cotações IDC no trimestre e só ficou atrás do ringgit da Malásia, onde o dólar ficou 9,51% mais barato. Logo atrás da moeda brasileira, o rublo da Rússia viveu o mesmo fenômeno e o dólar caiu 8,07% para os russos.

Os analistas de câmbio do banco Société Générale explicam que, além do quadro doméstico e o rumo do juro nos EUA, as três divisas foram influenciadas diretamente por um fator comum: o comportamento das commodities, especialmente o petróleo. Malásia, Brasil e Rússia são exportadores de matérias-primas e, por isso, suas moedas têm flutuado na esteira das matérias-primas.

É fácil entender essa correlação: quando commodities ficam mais caras, esses países arrecadam mais via exportações e impostos. Então, isso ajuda a economia. Na Malásia, por exemplo, quase 30% da arrecadação de impostos tem origem no setor de petróleo e gás.

Esse fenômeno, porém, não ajuda apenas os emergentes. Economias desenvolvidas com grande exposição às matérias-primas também foram beneficiadas, dizem os analistas do Société Générale. Entre os países, a casa destaca especialmente a Noruega e o Canadá. No trimestre, o dólar ficou 6,71% na comparação com a coroa norueguesa e caiu 5,88% ante o dólar canadense.

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