Receio de dólar mais alto pesa e juro futuro sobe

Ata do Copom não saiu do radar dos investidores, que esperam por documento que será divulgado na quinta

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 18h15

SÃO PAULO - Nem Livro Bege, nem dados econômicos, nem incertezas externas. Hoje o mercado de juro futuro só teve olhos para as medidas cambiais adotadas pelo governo para conter a queda da moeda norte-americana ante o real. As taxas de juros projetadas pelos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) chegaram a atingir as máximas ao longo da manhã, desaceleraram o movimento na segunda etapa dos negócios, mas se sustentaram em alta, refletindo o receio de que o dólar engate trajetória de alta. Para Fernando Vieira, gerente de renda fixa da Lerosa Investimentos, as medidas cambiais ajudam o dólar a subir e, com isso, a moeda norte-americana deixa de ser uma "ferramenta" de apoio ao controle da inflação. "O benefício do câmbio barato na inflação foi colocado em xeque", avaliou Vieira.

Além disso, o fato de o governo ter deixado medidas em aberto, ou seja, que poderão ser usadas ou ampliadas quando julgar necessário, acaba sendo um inibidor para os investidores. "As ferramentas que permitem a atuação do BC a qualquer momento deixa o investidor inseguro e isso pode ser um limitador de queda (do juro futuro). Ninguém quer jogar um jogo onde as regras podem ser mudadas a qualquer momento, isso não é legal", afirma Fernando Vieira.

Medida Provisória divulgada no Diário Oficial da União hoje autoriza o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para as negociações no mercado de derivativos e a tributar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 25% sobre o valor dessas operações, além de exigir margens adicionais, caso considere necessário, sobre as operações com derivativos. A tributação, de acordo com um decreto também editado hoje, começa com alíquota de 1% de IOF sobre a posição vendida líquida que exceder US$ 10 milhões.

Na BM&F, o DI futuro com vencimento em janeiro de 2012 (167.620 contratos negociados) fechou estável em 12,47% ao ano, enquanto o DI de janeiro de 2013 (144.535 contratos), marcou 12,68%, de 12,67% no ajuste de ontem. A projeção do DI de janeiro de 2014 (64.760 contratos) subiu de 12,72% para 12,74% ao ano. Nos prazos longos, o avanço das projeções foi maior. O DI de janeiro de 2017 (15.810 contratos) passou de 12,56% para 12,61% ao ano, e o DI de janeiro de 2021 (2.580 contratos negociados) estava em 12,41%, ante 12,36% na véspera.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), no entanto, não saiu do radar dos investidores, que aguardam pelo documento que será divulgado amanhã logo cedo. Para os especialistas, o Banco Central precisa justificar a retirada da expressão do comunicado pós-reunião, "período suficientemente prolongado" adotada nas duas reuniões anteriores para referir-se à duração do ciclo de aperto monetário."

Diante das medidas cambiais, ficaram em segundo plano os dados de crédito do Banco Central e de inflação da Fipe. O estoque de crédito no sistema financeiro nacional cresceu 1,6% em junho, na comparação com maio, e chegou a R$ 1,834 trilhão, de acordo com o BC. No acumulado do ano, o estoque de crédito tem crescimento de 7,5% e em 12 meses encerrados em junho a expansão atinge 20%. No que diz respeito aos preços, o IPC-Fipe teve alta de 0,26% na terceira quadrissemana de julho, ante 0,27% na segunda quadrissemana.

Nos EUA, o Livro Bege do Federal Reserve mostrou que o ritmo de crescimento da economia diminuiu em boa parte dos EUA no período que vai de junho ao início de julho e as pressões inflacionárias estão começando a ceder em algumas regiões. Segundo o relatório, mais da metade dos 12 distritos avaliados pelo banco central norte-americano divulgaram uma redução na atividade econômica.

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