Receio de IOF maior assusta estrangeiro e Bovespa cai 1,07%

Ao longo da sessão, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 70.958,17 pontos, em alta de 0,79%, à mínima de 68.951,65 pontos, em queda de 2,06% 

Rosangela Dolis, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 18h38

Receios de que o aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ingresso de capital externo, já adotado na renda fixa, possa ser estendido às aplicações em ações e rumores de que no empenho para valorizar o dólar o governo possa apelar até mesmo para uma quarentena para recursos estrangeiros viraram a Bovespa para o negativo à tarde. Temores de tais medidas estimularam saídas de capital externo da Bolsa brasileira, principalmente com vendas de Petrobras e Vale, ações mais líquidas do índice. Petrobras ON caiu 2,98% e PN, 3,32%, enquanto Vale ON cedeu 1,61% e PNA, 1,97%.

A Bolsa brasileira fechou em queda de 1,07%, aos 69.652,10 pontos. Ao longo da sessão, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 70.958,17 pontos, em alta de 0,79%, à mínima de 68.951,65 pontos, em queda de 2,06%, na parte da tarde do pregão. O volume financeiro atingiu R$ 7,323 bilhões, ante R$ 6,681 bilhões ontem.

Papéis de construtoras, que tradicionalmente têm lugar de destaque em carteiras de estrangeiros, também sofreram com a saída desses recursos: Rossi ON cedeu 3,16%; Brookfield, -3,02%; Gafisa ON, -1,43%; MRV ON, -1,24%; PDG ON, -1,27%; e Cyrela ON, -1,93%.

A atuação do governo no mercado de derivativos debilitou ainda, e pelo terceiro dia, as ações da BM&FBovespa, que cederam 3,20% e figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Ontem, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) fecharam as brechas que ainda podiam ser usadas pelos investidores estrangeiros para evitar o aumento da alíquota IOF. As resoluções editadas ontem à noite pelo governo terão impacto nos volumes negociados na Bolsa, que só poderá ser medido dentro de 15 a 20 dias, segundo disse o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

As ações da Petrobrás e Vale, que juntas respondem por 26% do desempenho do Ibovespa, foram prejudicadas também pelo enfraquecimento do preço das commodities, provocado pela desaceleração do ritmo do crescimento do PIB chinês.

O fator eleição também não favoreceu a Bovespa hoje, com pressão sobre ações de estatais. Papéis da Petrobrás e de empresas do setor de energia elétrica e do Banco do Brasil foram afetados pela ascensão de Dilma Rousseff (PT) nas últimas pesquisas eleitorais. Na semana passada, essas ações haviam subido em razão de José Serra, candidato tucano, ter avançado nas pesquisas, isso porque o mercado avalia que o PSDB é melhor gestor de estatais que o PT. Cesp PNB caiu 1,39%, Eletrobras PNB, 3,92%, e Eletrobras ON, 3,93%. Já BB ON cedeu 2,56%.

Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,35%; o Nasdaq, 0,09%; e o S&P500, 0,18%.

Nos EUA, os bons resultados de balanços corporativos - entre eles, os números robustos de Caterpillar, Amazon.com, AT&T e McDonald''s -, ajudaram as bolsas a fechar em alta. Eles fizeram contraponto à redução das expectativas quanto à extensão das medidas que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá tomar no início de novembro para estímulo da economia norte-americana, após a divulgação hoje de dados favoráveis sobre o ritmo de recuperação da economia do país.

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