Recessão nos EUA deve pegar todo ano de 2008

Luiz Carlos Mendonça de Barros, da Quest, disse, no entanto, que a China deve segurar a economia mundial

Luciana Xavier e Cristina Canas,

29 de fevereiro de 2008 | 18h02

Embora afirme que a fase de pânico em Wall Street já tenha passado, o diretor- estrategista sócio da Quest Investimentos e ex-diretor do Banco Central, Luiz Carlos Mendonça de Barros, acredita que a recessão nos Estados Unidos será forte e prolongada.   Ouça entrevista "O momento de pânico não existe mais. O pânico foi substituído pelo receio da recessão, que deve ser forte, prolongada e pegar todo o ano de 2008. A recuperação só deve começar na metade de 2009", afirmou o executivo. Ele espera um crescimento do PIB dos EUA entre 0% e 1% este ano.  Por outro lado, o mundo deve sofrer menos com essa recessão do que em situações passadas. "A importância dos EUA hoje é muito menor. É evidente que (recessão) na economia americana traz reflexos sobre outros mercados, mas sou um pouco menos pessimista. O petróleo a US$ 103 mostra que tem demanda (no mundo). O minério não subiria 65% se não tivesse demanda", explicou. Segundo ele, o que deve ajudar a economia mundial é principalmente a China. "A dinâmica da China deve manter-se e segurar o crescimento do mundo em 4%", disse o ex-diretor do BC. No combate à recessão dos EUA, o Federal Reserve (Fed) deve manter sua postura mais agressiva, de acordo com Barros, que estima que a taxa dos Fed Funds possa cair dos atuais 3% para 1,5% este ano. Para a reunião de março, a aposta é de corte de 0,50 ponto porcentual. CâmbioMendonça de Barros avalia que, diante do crescente poder de atração do Brasil aos olhos dos investidores estrangeiros, o dólar seguirá por um "longo tempo" em trajetória decrescente, com chance de romper R$ 1,60 e bater R$ 1,50 este ano. "O real ainda vai se valorizar muito." Na visão do economista, o dólar a R$ 1,50 não seria um piso para a moeda americana. Segundo ele, não somente não há piso, como também não há solução para evitar a forte valorização do real. O que está levando o dólar a patamares recordes, segundo ele, são os investimentos em bolsa, em títulos de renda fixa e Investimento Estrangeiro Direto (IED). "Quase não houve saída de capital do Brasil. A dinâmica de entrada (de capital) segue forte. É incrível, pois a taxa básica de juro ainda é muito alta", comentou. Mendonça de Barros disse que participou recentemente de um seminário nos Estados Unidos e notou que uma enorme confiança do investidor em relação ao Brasil. "É impressionante a forma como o investidor está olhando para o Brasil. A economia brasileira pegou no breu. Antes era uma economia fraca", analisou. O executivo colocou o Brasil praticamente no topo entre os emergentes, à frente do México, Turquia, África do Sul e países do leste europeu, ressaltando a eficiência do setor financeiro e citando a BM&F. "Não existe no mundo dos emergentes um mercado financeiro como aqui. Há institucionalidade extraordinariamente eficiente", frisou. ReformaO diretor se mostrou descrente em relação à proposta de reforma tributária do governo, já encaminhada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Congresso Nacional. Segundo Mendonça de Barros, o ministro faz seu papel ao tentar prometer a reforma para 2008. "Duvido que ela seja aprovada este ano. É algo muito difícil. O ministro Mantega, por poder de ofício, é otimista. Eu, que não tenho essa limitação, não trabalho para que ela seja aprovada este ano de forma alguma", disse. Segundo ele, a proposta do governo contraria o interesse dos estados e pode nem vir a ser aprovada. "Há quatro, seis anos, essa questão de cobrar no destino e não na produção o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) era quase unânime, só tinha São Paulo contra. Acontece que mudou tanto o quadro de produção, que já tem vários estados hoje que perdem com essa mudança. Ficou muito mais complexo", comentou.

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