Recuperação dos EUA será mais forte do que se espera

O economista indiano Lakshman Achuthan vê o início da recuperação do emprego ainda neste ano

Luciana Xavier, da Agência Estado,

16 de outubro de 2009 | 17h11

A retomada dos Estados Unidos será mais forte do que espera a maioria no mercado, acredita o economista indiano Lakshman Achuthan, diretor do Economic Cycle Research Institute (ECRI), de Nova York, com base no indicador do instituto, o WLI índex. Esse indicador antecedente semanal mostra projeções para o ciclo de negócios nos EUA num horizonte de quatro a cinco meses.

 

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"A recuperação será mais forte do que o consenso pensava que seria. Não apenas em termos de produção, como PIB, consumo e empregos. Creio que por volta do final do ano veremos empregos sendo criados na maioria dos setores da economia, talvez com mais fraqueza no setor de manufaturados", afirmou, em entrevista, por telefone, de Nova York, ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

As projeções feitas por Achuthan com base nas medições do ECRI tem se mostrado verdadeiras. Em março do ano passado ele afirmou que o ciclo de negócios mostrava que o país já estava em recessão. Em dezembro de 2008, Achuthan garantiu, no AE Broadcast Ao Vivo, que não haveria retomada global na primeira metade do ano e, em maio deste ano, disse que a recessão nos EUA terminaria no verão no Hemisfério Norte ou no meio deste ano, o que, ao que tudo indica, é o que aconteceu.

 

Segundo Achuthan, há maior confiança na economia e isso deve impulsionar o consumo. "Mas o consumo irá participar (do processo de recuperação) e não aparecer na linha de frente", observou.

 

Achuthan disse que é normal que a poupança aumente ainda que a economia já esteja em recuperação. "A tendência é de que o nível de poupança comece a cair em alguns trimestres e o endividamento por consumo suba."

 

O economista também é categórico ao dizer que os EUA não devem cair em recessão de novo nos próximos meses. "Rejeito a tese de mergulho duplo na recessão. Não há nenhum sinal de que isso ocorrerá nos próximos trimestres", afirmou.

 

Achuthan disse ainda que a inflação já aparece no horizonte, de acordo com um índice do instituto voltado para trajetória dos preços. "O risco de deflação está descartado. A inflação já está apontando para cima, mas não vejo pressões inflacionárias", disse.

 

Para ele, é positivo que a inflação esteja apontando para cima como parte do processo de recuperação da economia, mas uma vez que o mundo está com grande capacidade ociosa, a competição global deve impedir uma escalada de preços nos próximos meses.

 

Isso significa, segundo Achuthan, que o Federal Reserve (Fed) não deverá se preocupar em subir os juros tão cedo. Pelo contrário. Para Achuthan, o Fed está agora numa posição confortável ou "lugar doce", onde não precisa fazer grandes movimentos para cima ou para baixo na política monetária e pode permitir manter os Fed Funds na faixa de zero a 0,25% por mais algum tempo.

 

Sobre o Brasil, Achuthan disse que o País tem boas perspectivas de recuperação, mas deverá estar atento a uma possível desaceleração global no início de 2010, que deve ter impacto na indústria. "Mas a demanda interna deve continuar indo bem e embora o setor industrial possa desacelerar um pouco o ritmo de crescimento, não há motivo para se alarmar", avaliou.

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