Redes internacionais investem US$ 4 bi em hotéis na Bahia

O litoral baiano está mais agitado do que nunca. Há uma corrida entre grandes grupos estrangeiros por um espaço na beira do mar. A cada dia surgem novos anúncios de investimentos em hotéis, resorts e condomínios de luxo, especialmente na região norte do Estado, a chamada Costa dos Coqueiros.Os números são impressionantes: até 2020, as empresas privadas vão investir US$ 4 bilhões na criação de pousadas a hotéis de padrão cinco estrelas. O governo da Bahia promete investir outro US$ 1,6 bilhão em obras de infra-estrutura.Para quem pensa nas férias, a ocupação da costa baiana aumenta as opções de lazer. Para quem vive de turismo, não dá para relaxar. A disputa pelos turistas, que já é acirrada, vai ficar cada vez mais apertada.DisputaSegundo a Associação Brasileira de Resorts, a Bahia abriga onze dos 36 resorts brasileiros. Sete deles estão na Costa dos Coqueiros, alguns a menos de um quilômetro de distância dos outros. Os atuais 7 mil quartos devem dobrar ou até triplicar de número até 2020.A ocupação dos quartos é motivo de disputa entre os executivos da rede hoteleira. "Estamos trabalhando com uma ocupação média de 50%", diz Alberto Ribeiro, o diretor de desenvolvimento da Accor - rede que possui dois resorts Sofitel dentro do conjunto Costa do Sauípe. "Mesmo que o número de hóspedes aumente 10% ao ano nos próximos anos, com tal aumento de quartos não haverá hóspedes para todos."Ribeiro diz que a Accor não deve investir, no momento, em mais nenhum resort no Brasil além dos já existentes (dois em Sauípe e um em construção no Guarujá, em São Paulo). Os 150 milhões que a rede vai investir na América do Sul até 2010 estarão concentrados nos hotéis para turismo de negócios. "Muitos grupos estrangeiros estão chegando, mas sinto a falta de estudos de mercado."A grande aposta das redes estrangeiras é a chegada de turistas europeus, no mesmo modelo do litoral português. Hoje eles representam 60% da clientela. O grupo espanhol Iberostar inaugurou seu resort na região em 21 de junho, e tem mantido uma média de 90% de ocupação desde então."O grupo possui agências de turismo e faz vôos, portanto nossa ocupação depende principalmente de nós mesmos", diz o diretor-comercial do Iberostar no Brasil, Orlando Giglio. "Não vamos disputar hóspedes com os outros, e sim trazer mais pessoas para o Nordeste."O resort tem atualmente 406 quartos, mas daqui a dois meses o número sobe para 642 quando for inaugurado mais um bloco de apartamentos. Em janeiro, começam a funcionar o campo de golfe, a segunda piscina e um centro de convenções.Tarifas agressivasA ocupação no Marriot e no Renaissance, ambos do grupo americano Marriot, subiu de 54% no ano passado para 63% este ano, com uma clientela dividida meio a meio entre brasileiros e estrangeiros. "O turista europeu está vindo porque o Brasil tem sol e é seguro: não tem terrorismo nem desastres naturais", diz o gerente-geral dos resorts, José Gonzales.O Renaissance gerou críticas ao adotar no ano passado o sistema all inclusive, em que toda a alimentação está incluída na diária. Antes, este sistema só era utilizado na região pelo Breezes. "São tarifas muito agressivas, com um apelo de massa", diz o gerente-geral de vendas, turismo e lazer da Accor, Daniel Guijarro. "No Sofitel queremos fazer algo mais exclusivo, para pessoas que gostam de serviços diferenciados. Essa concorrência exige que sejamos muito eficientes em gestão de custos, mas o Brasil está se vendendo muito barato." Um quarto para casal no Sofitel Sauípe, em baixa temporada, tem preços ao redor de R$ 600.O gerente do Marriot discorda. "O Brasil é muito caro. Quantos brasileiros e estrangeiros estão dispostos a pagar o que se cobra nos resorts? Temos de cobrar um preço que atraia mais hóspedes." No Renaissance, as diárias para casal em baixa temporada iniciam em R$ 328.A disputa pode ficar mais acirrada: o grupo português Pestana acaba de assumir o controle das Pousadas de Sauípe, grupo de seis pousadas da região. "É importante estarmos entre outros grupos internacionais aqui na Bahia", diz Dionísio Pestana, presidente do grupo. "E estamos sempre em busca de boas oportunidades no Brasil, que é o principal destino fora da Europa para os portugueses."Para o diretor-comercial do grupo SuperClubs no Brasil (que detém o resort Breezes), Xavier Veciana, na Costa dos Coqueiros já há muitos resorts. "Falta planejar mais opções econômicas de qualidade. Podem vir quantas empresas quiserem, mas tem de ser com planejamento e qualidade."

Agencia Estado,

18 de setembro de 2006 | 11h23

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