Reformas podem trazer de volta investidores externos à Bolsa

Expectativa por uma desaceleração global em 2019 e riscos ligados a problemas comerciais entre China e EUA têm causado o movimento de saída de capital dos emergentes

Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2018 | 05h00

Com a saída líquida dos investimentos externos da Bolsa brasileira, a coluna perguntou aos analistas como eles avaliavam este fluxo e seu impacto no mercado. Em outubro, os resgates líquidos realizados pelos estrangeiros foram de R$ 6,2 bilhões, e, em novembro, já estão em R$ 1,2 bilhão. Apesar disso, para os profissionais, no médio prazo estes recursos podem retornar ao País, se a agenda de reformas do novo presidente da República se concretizar.

A expectativa por uma desaceleração global em 2019 e riscos ligados a problemas comerciais entre China e EUA têm causado o movimento de saída de capital dos emergentes em busca de proteção nos países desenvolvidos, avalia Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. “Acredito que no início de 2019 os estrangeiros devem retomar os investimentos no Brasil, com especial atenção à agenda do governo Bolsonaro e sinalizações sobre as diretrizes envolvendo questões fiscais e estruturais”, afirma. “Sendo assim, no médio prazo ainda estamos otimistas com preços das ações da Bovespa.”

O analista Alexandre Faturi, da Nova Futura Investimentos, concorda que a capacidade de o novo governo implementar as reformas será muito importante. “Os investidores externos, ao contrário dos domésticos, ainda não têm certeza quanto à capacidade do governo de implementar as reformas. Acreditamos que principalmente a previdenciária deverá atuar repelindo ou atraindo estes agentes.” 

Mário Mariante, da Planner, lembra que os estrangeiros já vinham saindo da B3 mesmo antes do segundo turno das eleições e o mercado foi sustentado pelo investidores locais, com bom volume. “Neste mês o fluxo de saída não está tão intenso, mas ainda segue”, comenta Mariante, ressaltando que o mercado agora acompanha os primeiros atos do novo governo na fase de transição. “Como estamos chegando ao final do ano e falta pouco mais de um mês para o recesso parlamentar é possível acreditar que nenhuma mudança estrutural mais forte aconteça neste ano. Com isso, é natural que os investidores aguardem mais um pouco para retornar ao mercado”, afirma. 

Vitor Suzaki, da Lerosa, conta que uma série de eventos desde o pico recorde recente, em outubro, da Bolsa de Nova York até o momento resultaram em saída de capital externo. “É preciso o encaminhamento ou ao menos sinalização de reformas, enquanto se tenta encaminhar propostas mais viáveis, como independência do BC, aprovação do cadastro positivo, cessão onerosa, MPs referentes ao setor de energia e de saneamento.”

Para ele, até o momento, nomeações divulgadas pelo futuro presidente da República demonstraram comprometimento com a continuidade do ajuste fiscal. “Com isso, há expectativa de um retorno possível de capital estrangeiro, fatores chave para aportes externos no País.” 

Esta semana a Lerosa, fez uma alteração na sua carteira, com saída da ação do Banrisul para entrada de Suzano, por conta de perspectiva positiva do setor e manutenção de preços da celulose em patamar elevado. A Planner incluiu a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), a Valid e a produtora de ferroligas e ferrocromo Ferbasa, por bons resultados e perspectivas de pagamento de dividendos. Já a Coinvalores trocou Magazine Luiza pela Natura, pelo bom terceiro trimestre em todos os seus negócios.

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